quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

MULTIPLICAÇÃO DA INIQUIDADE E O AMOR EM ANOMIA

MULTIPLICAÇÃO DA INIQUIDADE E O AMOR EM ANOMIA


Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha


“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” (Mateus 24:12).

O texto bíblico que é a base para a temática em epígrafe é uma declaração de Jesus. É uma leitura espiritual do próprio coração humano ao longo da história — e especialmente de nosso tempo. Jesus não está apenas descrevendo o mundo; está revelando um diagnóstico espiritual que toca cada pessoa que deseja permanecer fiel até o fim.

Com a finalidade de se compreender a relação proposta sobre a "multiplicação da iniquidade e o amor em anomia", seguem-se algumas argumentações para reflexão.

1. A multiplicação da iniquidade: quando o mal deixa de ser exceção e se torna cultura

Jesus não fala de episódios isolados, mas de uma *multiplicação. A iniquidade a que Jesus se refere não é apenas pecado, mas torção moral, normalização do errado, relativização do sagrado e substituição da verdade pelo interesse de muitos em promover o mal a qualquer preço ou sem preço algum.

Quando a iniquidade se multiplica o que antes chocava passa a ser tolerado; o que era tolerado passa a ser celebrado; o que era celebrado passa a ser exigido. Neste processo, a sociedade deixa de apenas praticar o mal — e passa a amar o mal, institucionalizando comportamentos que ferem a dignidade humana, a justiça e a pureza espiritual.

2. O amor em anomia é quando o amor existe em processo de desordem

Jesus não diz que o amor desaparece. Ele diz que “esfria”. O amor não morre — ele entra em anomia. Anomia é a ausência de "nomos" (lei, referência, ordem). É quando o amor perde direção,
perde fundamento, perde compromisso, perde sacrifício e perde Deus. É amor que existe, mas não governa mais as decisões. É amor desligado de sua fonte: o próprio Deus.

Um amor sem lei se torna amor interesseiro, amor utilitário, amor descartável, amor emocional, mas não relacional; amor que não transforma, não sustenta e não liberta.

3. O alerta de Jesus é também um chamado

Jesus não nos entrega este diagnóstico para gerar medo, mas para gerar discernimento e perseverança. Ele diz: “Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mateus 24:13). Perseverar não é sobreviver por teimosia, mas manter o coração inflamado enquanto todos ao redor esfriam.

Esta perseverança é militante. Isto quer dizer que, é amar quando o mundo odeia. É servir quando o mundo se torna egoísta. É permanecer santo quando o mundo se contamina. É guardar o coração quando o mundo o entrega às trevas.

4. Como aquecer o amor em tempos de frieza espiritual

Algumas orientações se tornam necessárias nestes tempos de multiplicação da iniquidade e esfriamento do amor:

- Retornar ao primeiro amor – não como emoção, mas como entrega total a Jesus.
- Cultivar a Palavra – porque ela é a referência que impede o amor de entrar em anomia.
- Praticar o amor sacrificial – porque amor que não se doa é amor que se apaga.
- Vigiar o coração – pois a frieza começa onde ninguém vê.
- Manter-se cheio do Espírito – Ele é o fogo que nenhum vento gelado deste mundo consegue
apagar.

A iniquidade pode até se multiplicar no mundo, mas não precisa frutificar em nós. E o amor pode até esfriar em muitos, mas não precisa morrer dentro daqueles que permanecem na videira verdadeira. Em tempos de anomia espiritual, o cristão é chamado a ser chama viva, luz que resiste, amor que não falha, fidelidade que não se dobra.

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