sexta-feira, 8 de julho de 2022

LIBERDADE CORROMPIDA SEMPRE EM TENSÃO

 “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo” (Romanos 7:18).

“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne...” Estas palavras do apóstolo Paulo mostram que no interior do homem há uma luta muito grande. Há uma forte tensão, pois é uma força que coloca o homem em uma situação de impotência diante da realidade que o cerca. Há toda uma situação de pecado gerador de miséria. É a concupiscência que impede o ser humano a sua realização neste mundo como pessoa, como ser humano. Concupiscência significa o desejo incontrolado, anelo de prazeres sensuais que faz confundir o amor com esse próprio desejo. É também a cobiça de bens materiais. Através das palavras do apóstolo Paulo há essa identificação de que, o ser humano tem a consciência dessa realidade miserável.

“Não habita bem nenhum...” – “Na minha carne”. A Concupiscência atingiu o homem todo por causa da situação de pecado. Estas palavras não constituem uma mera escritura, mas transmitem profundamente a podre realidade, na qual se encontra o ser humano. O pecado é algo que estragou a vida humana, logo, não tem o homem a possibilidade de se salvar por si mesmo. Essas palavras polarizam a natureza humana voltada para o mal. Ele é incapaz de realizar o bem; incapaz de exercer a fraternidade, as boas obras em favor do próximo, pois nessa situação a qual está inserido, todas as suas ações são executadas para si mesmo.

“Pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo.” Aí está tensão: o bem que tem de ser realizado esse não é executado, mesmo que o homem até tente ou faça alguma coisa, todavia, o executá-lo é quase impossível, ou melhor, é impossível, porque sem a graça de Deus esse homem não é nada.
A graça de Deus é fundamental para orientar o homem que está nesse estado de miséria. A graça de Deus é Deus em ação, produzindo no ser humano a capacidade para executar o bem. A graça de Deus liberta o homem para que este possa viver não para si mesmo, mas para Deus e para o seu semelhante.

Sem o amor o homem não pode viver. Por que? O apóstolo Paulo diz em 1 Coríntios 13, o seguinte: “E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (1 Coríntios 13:3). O amor não é um sentimento, nem um marcapasso, porém a maior das virtudes. O amor se dá na experiência. É a capacidade de alguém se doar em favor do outro sem pedir nada em troca, assim como Deus, que enviou seu Filho Amado para nos salvar (por amor). O amor implica em exercermos a justiça e o respeito em favor dos pobres e oprimidos. É por isso que o amor é o núcleo da vida cristã. Dizer apenas que alguém ama a outro não é o suficiente, pois, é muito mais do que palavras: é ação. O amor é ação.

Rev. Nelson Celio de Mesquita Rocha


quinta-feira, 7 de julho de 2022

A ESTRANHA JUSTIÇA DE DEUS

Mateus 20.1-16

Joachim Jeremias, conhecido e respeitado biblista evangélico alemão, é de opinião que esta parábola, comumente chamada de “parábola dos trabalhadores na vinha”, seria melhor indicada com o título: “parábola do bom patrão”. Para Jeremias, a parábola tem dois pontos altos: o primeiro é que o dono da casa emprega todos os desempregados, até a última hora, e manda pagar a todos o salário (vv.1-8); o segundo consiste na reclamação dos operários que trabalharam mais e na resposta que o dono da casa lhes dá.

Se medirmos o comportamento do senhor da vinha pelos nossos parâmetros, o Evangelho deste domingo nos põe diante de uma história no mínimo estranha. Não teria sido justo pagar menos a quem trabalhou menos tempo? Ou, então, já que o dono da vinha pagou também a estes o salário de um dia, não deveria ter pago mais que o combinado aos que trabalharam o dia inteiro, suportando o calor e o peso do dia? Essa estranheza é justamente o que a parábola quer causar em nós. E, através disso, Jesus Cristo nos transmite o “Evangelho”, a boa notícia da justiça de Deus, diferente da nossa.

A parábola tem dois finais: v. 15 e v. 16 que nos introduzem em dois aspectos da estranha justiça de Deus. Estranha justiça, porque bondade. O dono da vinha não considerou o resultado do trabalho, mas sim a pessoa que o executou. O que trabalhou todo o dia ganhou o que havia sido estipulado. Mas também o trabalhador da undécima hora tem uma família a sustentar e por isso “merece” o salário mínimo que mal lhe garante a subsistência de um dia. Aqui a pessoa está acima do produto. No sistema capitalista em que vivemos ocorre o contrário, onde o resultado do trabalho vale mais que o trabalhador.

Na perspectiva da justiça de Deus, a parábola estabelece uma inversão na nossa ordem das coisas. Essa parábola foi assim vivida por Jesus em seu ministério, ao acolher publicanos e pecadores e preferi-los aos justos, ao proclamar que os pobres eram os primeiros destinatários da “boa nova”, ao confiar que as prostitutas precederiam os “justos” fariseus no Reino de Deus. Essa parábola foi vivida pela Igreja primitiva ao aceitar os desprezados pagãos em seu seio e garantir-lhes assim a mesma participação nas promessas de Deus que aos judeus convertidos.

Caso a Igreja de Cristo toda não venha a fazer dos últimos na sociedade os primeiros em sua missão e em seu amor, há de acontecer-lhe o que foi dito no final da parábola: “os primeiros serão os últimos”. É que esquecemos que ser Igreja não é privilégio, é serviço. Quem serve sempre é o último, porque, para ser realmente “servo de todos” (Marcos 10.44), há de começar a servir o que está mais embaixo.

Na medida em que esta for nossa opção real, a justiça de Deus se realizará por nós e em nós. A justiça de Deus é bondade, que considera primeiro o último.

A decisão do senhor da vinha é o coração da parábola e traça nítida distinção entre a justiça da nossa sociedade e a justiça do Reino. A justiça das pessoas diz: cada qual recebe pelo que fez, sem levar em conta a necessidade de cada um, nem os motivos pelos quais as pessoas estavam desempregadas após terem perdido o seu pedaço de terra. A justiça do Reino de Deus, por sua vez, tem este princípio: todos têm direito à vida em abundância. Os marginalizados não carecem em primeiro lugar da beneficência, mas da justiça que arrebenta os trilhos estreitos daquilo que normalmente entendemos por justiça. É isso que faz o senhor da vinha: dá a cada um segundo a justiça do Reino.

Rev. Nelson Célio de Mesquita Rocha



segunda-feira, 4 de julho de 2022

A vida é desenvolvida sob alguns movimentos e também alguns mistérios que não são revelados de imediato.


Rev. Nelson Célio de Mesquita Rocha


 ELA E EU