sexta-feira, 21 de novembro de 2025

A CONDIÇÃO DO OLHO DIREITO FAZER ALGUÉM TROPEÇAR NA VIDA

A CONDIÇÃO DO OLHO DIREITO FAZER ALGUÉM TROPEÇAR NA VIDA

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha (Pastor presbiteriano, membro do PNIL - Presbitério de Nilópolis - RJ


“Portanto, se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo seja lançado no inferno” (Mateus 5:29).

O "olho direito", utilizado por Jesus no texto citado acima é frequentemente mencionado como um símbolo de visão espiritual e discernimento. É considerado a janela da alma, refletindo a luz interior de uma pessoa. O olho direito é associado à sabedoria e discernimento espiritual, representando a capacidade de ver além das aparências e compreender as verdades mais profundas da vida. Na Bíblia, o olho direito é mencionado como uma metáfora para a percepção espiritual e a capacidade de discernir entre o bem e o mal.

Para entender a condição do "olho direito" fazer alguém tropeçar na vida é necessário alguns pontos que conduzem a uma reflexão para o cuidado que se deve ter no exercício do discipulado.

1. O “Olho Direito” como símbolo da nossa parte mais valiosa

No contexto judaico, o "olho direito" era considerado o mais importante, o mais forte, o mais preciso. Jesus escolhe essa expressão para revelar que os maiores perigos espirituais não vêm das áreas fracas da vida, mas das que parecem mais fortes, nobres e indispensáveis.

É no melhor de nós que muitas vezes mora o pior risco. O que é valorizado, protegido e estimado pode tornar-se um ídolo. Aquilo que achamos intocável pode se transformar em porta de queda. Assim, o “olho direito” simboliza qualquer área que consideramos inegociável, mas que, se não for entregue ao controle de Jesus, pode nos conduzir ao tropeço.

2. Tropeço: o passo que se desvia para um caminho diferente

Quando Jesus fala de “tropeçar”, Ele trata daquilo que desvia o coração, enfraquece a consciência, altera a direção espiritual e apaga a sensibilidade ao pecado. Portanto, tropeçar espiritualmente raramente é uma queda de uma vez. Geralmente, começa com um olhar tolerado, um hábito pequeno, uma área não consagrada, um desejo não vigiado e um afeto não colocado diante de Deus. Por isso, Jesus usa linguagem forte: “arranca e lança fora”, indicando ação decisiva, imediata e radical contra o que ameaça a vida espiritual.

3. Arrancar o olho: o chamado para rompimento radical

É importante destacar que, Jesus não está falando de automutilação física, mas de renunciar a qualquer coisa que impeça a santidade e a comunhão com Deus. “Arrancar o olho direito” implica em alguns significados. Renunciar ao que parece indispensável, mas prejudica a alma. Cortar relações, hábitos, ambientes ou acessos que alimentam o pecado. Sacrificar aquilo que amamos, mas que nos destroi espiritualmente. Colocar a eternidade acima de qualquer prazer momentâneo. Sendo assim, Jesus nos lembra que não vale a pena salvar algo da vida se isso custar a própria vida eterna.

4. Algumas aplicações práticas para a vida do discipulado cristão e também para a humanidade

- Se o “olho direito” é um relacionamento*, e ele afasta de Deus — arranca-o.
- Se o “olho direito” é um hábito secreto, e ele destroi a integridade — lança-o fora.
- Se o “olho direito” é um vício que domina, e tira Cristo do centro — rompa radicalmente.
- Se o “olho direito” é um acesso, um conteúdo, uma prática silenciosa, que leva ao tropeço — é preciso eliminá-lo completamente.

É melhor perder algo nesta vida do que perder a vida na eternidade. Assim, Jesus apresenta um ensino com uma verdade poderosa: perder algo que nos é precioso pode doer, mas perder a alma é irreversível.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

CONSCIÊNCIA HUMANA NA DIMENSÃO EXISTENCIAL

CONSCIÊNCIA HUMANA NA DIMENSÃO EXISTENCIAL

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha (Pastor presbiteriano, membro do PNIL - Presbitério de Nilópolis - RJ)


Existem alguns movimento que foram criados para conscientizarem a mentalidade humana nas dimensões e extensões nacional e internacional. Esses movimentos estão espalhados por quase todos os continentes do Planeta Terra.

As intenções dos mentores de quem organizou certos movimentos de conscientização, foram e são para desenvolver nas pessoas o respeito que se deve ter entre os seres humanos, de todos os meios e de todas as etnias. Para isso, foram decretados alguns dias do ano, que se configuraram como "feriados". Por exemplo: Dia do Trabalho e do Trabalhador; Dia do Comércio; Dia da Consciência Negra...

Todavia, a consciência humana é um dos maiores mistérios que acompanha a jornada do ser desde os seus primórdios. Ela não é apenas a capacidade racional de interpretar o mundo ao redor; é também o palco onde se desenrolam os dramas interiores, as perguntas que inquietam a alma e o impulso que move o indivíduo em busca de propósito. Na dimensão existencial, a consciência se revela como o espaço sagrado onde o ser humano se percebe, se questiona e se projeta.

A consciência existencial é autopercepção. É o momento em que o indivíduo, ao olhar para dentro, não apenas identifica suas emoções, pensamentos e valores, mas reconhece sua própria fragilidade e grandeza. A consciência interior desperta o confronto com perguntas inevitáveis: Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? Tais indagações não são apenas filosóficas; são profundamente espirituais, pois levam o ser humano a ultrapassar a superficialidade da vida cotidiana. Essa consciência deveria ser ensinada desde a mais tenra idade, tanto em casa quanto nas escolas; em todos níveis estruturais da educação. A pessoa, antes de aprender as matérias que formam para vida profissional, deveria aprender em todo o tempo a ser humano. Aprender a amar a si mesma e ao próximo, com a finalidade de ser formada uma melhor sociedade.

A consciência humana se manifesta como responsabilidade. Não há existência autêntica sem assumir o peso das escolhas. A consciência não permite neutralidade: ela cobra coerência, exige decisões e revela as consequências. Na dimensão existencial, cada ato carrega significado, cada palavra deixa um rastro, cada intenção molda caminhos. A responsabilidade existencial impede o ser humano de mergulhar na indiferença; ela o chama à integridade, ao discernimento e à ética.

Por fim, a consciência humana é também transcendência. Dentro desse espaço interior, o ser humano percebe que não está completo em si mesmo. Há um anseio que ultrapassa todas as realizações, um eco que chama para além das fronteiras do tempo. A dimensão existencial da consciência aponta para o Divino, para o Eterno, para Aquele que dá sentido ao próprio existir. É nessa consciência ampliada que o ser reconhece que a vida não é apenas sobrevivência, mas vocação; não é apenas movimento, mas propósito; não é apenas tempo, mas eternidade em processo.

Assim, a consciência humana, quando entendida na sua dimensão existencial, não é apenas um fenômeno psicológico, mas uma jornada espiritual. Ela conduz o indivíduo do superficial ao profundo, da inquietação ao significado, da finitude ao Eterno. E somente quando essa consciência se abre para o transcendente é que o ser humano encontra, finalmente, a harmonia entre quem ele é, quem ele se torna e para quem ele vive.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

JOÃO BATISTA COM SUA VESTIMENTA E ALIMENTAÇÃO EXÓTICAS

JOÃO BATISTA COM SUA VESTIMENTA E ALIMENTAÇÃO EXÓTICAS

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha (Pastor presbiteriano, membro do PNIL - Presbitério de Nilópolis - RJ)


“E João usava uma veste de pelos de camelo e um cinto de couro; e o seu alimento eram gafanhotos e mel silvestre” (Mateus 3:4).

No Evangelho segundo Mateus, no texto citado acima, trata de uma personagem bastante conhecida na literatura neotestamentária. Seu nome é João Batista, precursor de Jesus Cristo. Ele usava vestes rudimentares e tinha uma dieta simples, composta principalmente por gafanhotos e mel silvestre. Suas vestes eram feitas de peles de camelo, uma prática comum entre os nômades da época, e seu cinto de couro era usado para segurar a roupa e prevenir o desabamento durante a sua missão profética. A sua dieta simples refletia sua vida de arrependimento e preparação para a chegada do Messias. Também o seu modo de falar incomodava, principalmente os políticos e a liderança religiosa de seu tempo, porque ele falava a verdade, o que custou a sua própria vida.

Atentando-se para a temática proposta, sobre João Batista e sua vestimenta, bem como a sua alimentação, pode parecer até sem sentido escrever sobre isso, no entanto apresenta uma mensagem que precisamos refletir. Até porque não foi registrado por Mateus por acaso. Tem um propósito, e para entendê-lo, faz-se necessário observar os pontos a seguir.

1. A SIMPLICIDADE QUE DESAFIA A CULTURA DO EXCESSO

A aparência de João Batista era um choque para seu tempo. Enquanto muitos líderes religiosos buscavam destaque, luxo, prestígio e visibilidade, João escolheu o caminho da simplicidade radical. Sua vestimenta de pelos de camelo não transmitia status. Seu cinto de couro era funcional, não decorativo.

João nos lembra que o valor do mensageiro está na mensagem, não na aparência. Num mundo profundamente marcado pela ostentação e pela construção de imagens, João proclama que a simplicidade é uma forma de profecia e a renúncia ao supérfluo é um grito contra uma sociedade consumista.

2. A ALIMENTAÇÃO QUE DENUNCIA A DEPENDÊNCIA DESTE MUNDO

Gafanhotos e mel silvestre: uma dieta improvável, exótica, até desconfortável. João não se alimentava dos banquetes de Herodes. Não buscava a mesa dos fariseus, nem o conforto dos ricos da Judeia.

Sua alimentação revelava: dependência total de Deus; resistência às estruturas do conforto; quebra de vínculos com os sistemas de poder; e, liberdade interior para cumprir sua missão.

A comida de João dava um recado para quem anuncia o Reino e não vive movido pelo paladar do mundo. Também, quem prepara o caminho do Senhor não negocia sua fidelidade por conforto.

3. UM ESTILO DE VIDA QUE PREPARA O CAMINHO DE UMA EXISTÊNCIA VERDADEIRA

A vestimenta e alimentação de João não eram apenas detalhes biográficos. Eram parte do sermão, parte da mensagem, parte do impacto. João vestia o que pregava, comia do que pregava e sua vida era coerente com sua missão.

Para Deus levantar uma voz que clama no deserto, João não procurava elegância, status, títulos e aplausos. Mas, ele procurava: integridade, coragem, coerência e abnegação.

João nos chama a uma vida onde o exterior confirma o interior, o estilo de vida confirma a fé e as escolhas diárias anunciam a mensagem que pregamos.

A vestimenta e a alimentação exóticas de João são um convite para todos nós. O que precisamos fazer de modo urgente? Rever prioridades, renunciar à vaidade excessiva. viver com propósito e ser profetas num mundo de distrações.

João preparou o caminho para Jesus Cristo. E quanto a nós? Nós também somos chamados a preparar caminhos com simplicidade, renúncia, vida coerente e com compromisso inabalável com o Reino de Deus.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

VOLTAI À FORTALEZA, OS QUE AINDA TÊM ESPERANÇA

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha (Pastor presbiteriano, membro do PNIL - Presbitério de Nilópolis)


“Voltai à fortaleza, ó presos de esperança; também hoje vos anuncio que vos recompensarei em dobro” (Zacarias 9:12).

Eis uma ordem diante de tantas consolações vazias, bem como uma promessa de recompensa em dobro. Esta ordem e também a promessa que foram enviadas por Deus ao povo de Israel, por volta do ano 520 a.C., por meio do profeta Zacarias, representam verdades que ecoam no passar dos séculos. E, sendo a Palavra de Deus, atualiza-se no presente e sempre será abordada no futuro.

O que podemos aprender do texto bíblico para os nossos dias é algo que precisamos, pois os dias não são fáceis de se viver. Há um desespero que toma conta de pessoas. Muitos tiram a própria vida por não aguentarem o sufoco.

1. A FORTALEZA COMO LUGAR DE REFÚGIO E RESTAURAÇÃO

A palavra do Senhor, por meio de Zacarias, chama o povo para voltar. Não simplesmente voltar ao templo, nem às rotinas religiosas, mas à fortaleza — ao lugar onde Deus é proteção, segurança e abrigo. Em toda a Bíblia, Deus é descrito como rocha, torre forte, escudo, sombra protetora.
A verdadeira fortaleza não é um prédio, não é uma cidade, não é um sistema. A fortaleza é o próprio Senhor.

Voltar à fortaleza é voltar a: confiar quando tudo parece desabar. Refugiar-se quando as guerras da vida apertam. Descansar quando as forças se esgotam. Essa é a convocação divina: Retornem ao lugar onde a esperança renasce!

2. PRESOS, MAS PRESOS DE ESPERANÇA

Interessante: Deus chama o povo de “presos de esperança”. Não presos por correntes, por sistemas, por inimigos, mas presos pela esperança — ligados, amarrados, imputáveis pela certeza de que Deus ainda está agindo.

A esperança bíblica não é otimismo; não é pensamento positivo; não é esperar que tudo simplesmente dê certo. Esperança bíblica é: crer contra a esperança (Romanos 4:18); esperar com paciência mesmo quando nada muda (Salmo 40:1); confiar no que ainda não se vê (Hebreus 11:1).

O povo estava ferido, disperso, cansado, mas ainda tinha esperança. Nem todo o povo estava preso de esperança, mas ainda existia em muitas pessoas a esperança que não falha. E Deus nunca ignora aqueles que, mesmo machucados, ainda creem.

3. A PROMESSA: “HOJE VOS DECLARO QUE RESTITUIREI EM DOBRO”

A convocação vem acompanhada de uma promessa: “Hoje vos anuncio que vos recompensarei em dobro.” O dobro, nas Escrituras, sempre aponta para: restauração plena (Jó 42:10); justiça divina que compensa perdas; restabelecimento da honra e do propósito.

Deus está dizendo: “Se vocês voltarem para mim, Eu não apenas os receberei… Eu os restaurarei além do que perderam.” É uma palavra para quem perdeu tempo, alegria, oportunidades, forças,
direção e esperança.

O Deus que chama é o Deus que restaura. E o Deus que restaura é o Deus que recompensa em dobro.

Zacarias 9:12 é um convite permanente de Deus para todos nós. Sendo assim, eis o que o próprio Deus diz aos que creem: Volte. Não para trás, mas para Ele. Volte ao refúgio, volte à presença, volte à fonte. Alguém ainda tem esperança — e Deus recompensará essa esperança. A fortaleza continua aberta, e o Senhor continua dizendo: “Volta, filho. Volta, filha. Há esperança. Há restauração. Há dupla porção.”

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

A TAMPA DE CHUMBO LEVANTADA E UMA MULHER DENTRO DO CESTO

A TAMPA DE CHUMBO LEVANTADA E UMA MULHER DENTRO DO CESTO

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha (Pastor presbiteriano, membro do PNIL - Presbitério e Nilópolis - RJ)


Zacarias 5:7: "⁷ Então foi levantada a tampa de chumbo que cobria o cesto, e eis que uma mulher estava sentada dentro do cesto."

A Bíblia em seus 66 livros apresenta muitas vezes uma linguagem simbólica. Para entendê-la, faz-se necessário ter conhecimentos da exegese e da hermenêutica, por exemplo. Mas, Também conhecer a língua hebraica e e grega, como o aramaico, mas acima de tudo possuir a iluminação do Espírito Santo. Um outro ponto importante é ler bons comentários de pessoas que foram muito além de nós como estudiosos da Sagrada Escritura. Não devemos desprezá-los.

A visão do profeta Zacarias é profunda, simbólica e cheia de juízo divino. Ele vê um "efa" (cesto de medidas), uma "mulher dentro", e uma "tampa de chumbo" sendo removida e recolocada. A cena revela o modo como Deus trata o pecado institucionalizado, aquilo que se torna sistema, cultura e prática coletiva.

Zacarias não está descrevendo apenas um ato de injustiça pontual, mas um tipo de mal que se organiza, se acomoda e se torna parte da vida social, até que Deus decide expô-lo e removê-lo.

É preciso entender algumas premissas.

1. A TAMPA LEVANTADA — O PECADO OCULTO É REVELADO

Quando o anjo levanta a tampa de chumbo, Zacarias vê o que estava dentro: “Esta é a iniquidade”. Deus levanta a tampa. Deus expõe. Assim, muitos pecados permanecem aparentemente controlados, escondidos sob a tampa pesada do silêncio, da conveniência e da normalidade social. O chumbo representa o peso da tentativa humana de encobrir o mal. Mas o Deus que tudo vê levanta a tampa e mostra o que está dentro do coração, das instituições, das casas e até das religiões.

A aplicação aplicação se faz necessária não somente para a época de Zacarias, mas também para hoje. Nenhum pecado encoberto permanecerá oculto para sempre. Deus tem seu tempo de levantar a tampa, mostrar o conteúdo e revelar o que se tentou esconder.

2. A MULHER DENTRO DO CESTO — A PERSONIFICAÇÃO DO MAL SISTÊMICO

A mulher não é uma pessoa literal, mas a representação da “iniquidade”. Por que uma mulher? Na linguagem profética, figuras femininas muitas vezes simbolizam cidades, nações ou sistemas espirituais (Babilônia, Jerusalém, Samaria, Sião, etc.). Aqui, ela representa a maldade que se instala e se torna confortável, como quem mora dentro de um recipiente feito para medir comércio — ou seja: corrupção nos negócios, injustiça nos relacionamentos, falsidade social, desonestidade institucional.

O mal se acomoda. Ele ganha forma. Ele ganha espaço. Ele ocupa o cesto — símbolo da economia, da vida cotidiana e das estruturas humanas.

A aplicação é que o maior perigo não é o mal ocasional, mas o mal institucionalizado, naturalizado, aceito como parte do sistema. É quando a iniquidade se senta dentro do cesto e faz dali a sua casa.

3. A TAMPA DE CHUMBO RECOLOCADA — DEUS LIMITA, CONTÉM E JULGA A MALDADE

Após ser revelado, o mal não fica solto: “Ele lançou-a dentro do efa e pôs a tampa de chumbo sobre a boca do efa”.

Primeiro Deus expõe. Depois Deus contém. Por fim Deus julga (v. 9–11), levando o mal para longe, para a terra de Sinear, símbolo de Babilônia — o lugar de sua origem. Sendo assim, Deus não apenas revela o mal do povo. Ele também: o identifica, o restringe, o remove e o envia de volta às trevas de onde veio.

Quando Deus decide agir, Ele fecha a tampa! O mal perde sua liberdade, sua influência e seu espaço. Deus é soberano para julgar e purificar.

A visão do cesto e da tampa de chumbo nos lembra que: Deus expõe o oculto — nada fica escondido. Deus desmascara o mal que se instala como sistema. Deus intervém, limita e remove a iniquidade do meio do Seu povo.

Que esta visão nos leve a orar por discernimento, vigilância e santidade, pedindo a Deus que levante a tampa onde for necessário, mas também que a feche sobre toda obra das trevas.

domingo, 16 de novembro de 2025

VESTIMENTAS SUJAS POR LIMPOS E FINOS TRAJES

VESTIMENTAS SUJAS POR LIMPOS E FINOS TRAJES

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha (Pastor presbiteriano, membro do PNIL - Presbitério de Nilópolis - RJ)


Livro do Profeta Zacarias 3:4: "Tomou este a palavra e disse aos que estavam diante dele: Tirai-lhe as vestes sujas. A Josué disse: Eis que tenho feito que passe de ti a tua iniquidade e te vestirei de finos trajes."

Faz parte da higiene trocar de roupa depois de um banho. Não é um hábito, mas uma necessidade. É um comportamento que se aprende desde a mais tenra idade. Por isso, nem é preciso tecer comentários sobre este assunto.

Percebendo o texto citado acima, bem como o seu contexto que deve ser levado em conta para um melhor entendimento, a visão de Zacarias apresenta uma cena impressionante: Josué, o sumo sacerdote, está diante do Senhor, mas "vestido com roupas sujas". Sem dúvidas, é uma imagem perturbadora, porque o sacerdote, segundo o Antigo Testamento, deveria estar sempre limpo diante de Deus.

Mas essa é a forma como Deus revela a condição humana — mesmo aqueles chamados ao serviço sagrado podem se ver marcados por falhas, limitações e culpas. No entanto, a mensagem do texto não é condenação, mas restauração.

Deus ordena: “Tirai-lhe estas vestes sujas... e vestirei de vestes finas.” Deus que troca vestimentas sujas por limpos e finos trajes. Para entender a proposta desta reflexão, é importante observar alguns pontos.

PONTO 1 — A CONDIÇÃO REAL: VESTES SUJAS DIANTE DE DEUS

Josué, na sua função sacerdotal, representa o povo e, ao mesmo tempo, representa cada um de nós. Ele está diante do Senhor, mas com roupas impuras, o que simboliza: culpa acumulada, o peso dos erros, a contaminação espiritual e a incapacidade humana de se purificar por si só. E, mesmo servos sinceros podem se encontrar assim — desgastados, manchados pelas batalhas da vida, marcados por tentações vencidas e perdidas.

Que lição pode-se tirar? Antes de Deus nos vestir, Ele nos revela nossa real condição. Isso Deus faz não para nos envergonhar, mas para nos transformar. Portanto, é preciso ver as vestes sujas, que é o primeiro passo para experimentar a renovação de Deus.

PONTO 2 — A INTENÇÃO DIVINA: DEUS ORDENA A REMOÇÃO DAS VESTES SUJAS

No texto, Deus não manda Josué se limpar. Deus ordena aos ministros celestiais: “Tirai-lhe estas vestes sujas.” Isso nos ensina que: a obra da purificação é divina, não humana. Deus é quem toma a iniciativa da renovação. Ele não exige que o pecador se apresente perfeito, mas que se apresente. Aqui aparece também o grande obstáculo: o acusador. Satanás está ali tentando impedir a restauração. Mas Deus intervém: “O SENHOR te repreende!”

Outra lição desta reflexão com base no texto: o diabo acusa; Deus restaura; o diabo aponta nossas manchas; Deus já prepara novas vestes; a graça de Deus silencia toda acusação. Sendo assim, não deixemos que a voz da acusação seja mais forte que a voz da graça. Se Deus ordena a remoção das vestes sujas, ninguém pode impedir.

PONTO 3 — A OBRA COMPLETA: DEUS NOS VESTE COM TRAJES FINOS

Depois da remoção das vestes sujas, Deus declara: “Tenho feito passar de ti a tua iniquidade.” Primeiro Deus limpa, depois Deus veste. É assim que Ele age: remove a culpa, apaga a acusação, restaura a dignidade e reveste com justiça e pureza. O que as “vestes finas” representam? A salvação (Isaías 61:10), a justiça de Cristo (Apocalipse 19:8), a honra espiritual renovada e a aceitação no culto e no serviço.

Deus não apenas nos tira do campo da vergonha, Ele nos coloca no campo da honra. Ele não apenas perdoa; Ele restaura. Ele não apenas limpa; Ele reveste.

Mais outra lição, fazendo-se uma conexão com o Novo Testamento: em Cristo, não apenas somos perdoados — somos revestidos. A restauração divina é completa. Assim, é preciso permitir que Deus finalize a obra: não apenas tirar as manchas, mas nos revestir com nova identidade, novo caráter e novo propósito.

A visão de Zacarias revela a essência daquilo que a Bíblia como Palavra de Deus demonstra: Deus troca nossas vestes sujas por limpos e finos trajes. Ele revela nossa condição. Ele remove nossa sujeira. Ele nos reveste com Sua justiça. Isto significa que a obra de Deus não é superficial — é profunda, transformadora e gloriosa.

Por fim, que possamos nos colocar diante do Senhor assim como Josué: sem esconder manchas, mas confiando que Aquele que chama também restaura. E que cada um de nós saia da presença de Deus não com roupas remendadas e sujas, mas com vestes finas, dadas pela graça que nos alcança.

sábado, 15 de novembro de 2025

O MONUMENTO QUE O REI SAUL CONSTRUIU PARA SI MESMO

O MONUMENTO QUE O REI SAUL CONSTRUIU PARA SI MESMO


Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha (Pastor presbiteriano, membro do PNIL - Presbitério de Nilópolis - RJ)

Texto Bíblico: 1 Samuel 15:1-31


A Bíblia está repleta de relatos curiosos sobre a vida de muitas pessoas. São diversos os tipos de personalidades, ricas e pobres. Cada uma com sua história. A Bíblia relata acertos e falhas. Ela não esconde as falhas de ninguém, com a finalidade de se tirar lições para o cotidiano.

A Bíblia contem uma linguagem antrópica, isto é, ela é palavra de Deus em linguagem humana.
Assim, o relato de 1 Samuel 15:1-31 pode parecer estranho para nós hoje, mas tem ensinamentos que valem para todas as pessoas de todos os credos e de todos os tempos.

O rei Saul, o primeiro rei de Israel, levantou para si um monumento. Ele mesmo se preocupou com toda a parte logística para tal ato que tem como símbolo o orgulho e a hipocrisia. Saul era um rei desobediente a Deus. Teve a oportunidade de realizar um bom governo, mas estava mais preocupado em fazer a sua vontade, do que fazer a coisa certa, que era fazer a vontade de Deus, servindo, concomitante ao povo.

O Senhor Deus lhe havia dado uma ordem, e Saul não a cumpriu integralmente (1 Samuel 15:1-3).
Existia um povo, os amalequitas (Amaleque), que era de origem antiga e incerta, provavelmente, descendente de Esaú (Gênesis 36:16). Foi o primeiro povo a atacar Israel no deserto e fê-lo traiçoeiramente, quando este estava desfalecido (Êxodo 17:8-16).

Amaleque era um foco de males, pelo que Deus determinou o seu extermínio. Foi uma espécie de higiene moral e social. Pode-se pensar aqui que Amaleque é um tipo do nosso arqui-inimigo, que é aquele que ataca covardemente; quando as pessoas se encontram desfalecidas.

Saul não executou a ordem de Deus e ainda fez para si um monumento. Saul rejeitou o Senhor. Por isso o Senhor rejeitou o Rei Saul.

O que podemos aprender para hoje e também para toda a nossa existência, sobre esta o relato bíblico:

1. A desobediência em seu grau mais elevado é rebelião (9, 23)

“Obedecer é melhor do que sacrificar” – vv. 22. A desobediência gera a morte. Todo desobediente no Antigo Testamento era condenado – v. 23. Não é o que acontece hoje. Hoje há pessoas que mentem, desobedecem, tiram a vida dos semelhantes, assaltam, discriminam, entre outras atrocidades. E, ainda contratam advogados para se defenderem. Quem tem dinheiro sai ileso.

A pessoa que procura fazer a coisa certa, ainda que qualquer perfeição não faça parte da existência, tem maiores chances de vencer e demonstrar que praticando o que é justo vale à pena. Mas, parece que há um apoio popular pelo que é errado. Muitos lucram com processos errados. Parece que os maus exemplos são melhores do que os bons exemplos. Há uma inversão de valores.

2. A mentira é veneno mortífero que destroi a personalidade (13-18)

Falar a verdade e proclamá-la é o recurso de quem é sábio. No Novo Testamento há o relato de Ananias e Safira que morreram por causa da mentira – Atos 5:1-11. As pessoas que mentem e pensam que se dão bem, um dia a casa desmorona. É triste o fim de quem mente. Mas, as pessoas que promovem a verdade são abençoadas.

3. A Hipocrisia religiosa desmoraliza o caráter (19-21)

Hipocrisia significa fingimento, falsidade – Saul agiu hipocritamente. Esse fato mostra que, quem pratica o fingimento, a falsidade, não pode viver feliz e muito menos existir no reino de Deus. A pessoa que reconhece o seu pecado e se arrepende, é bem-aventurada.

4. A perdição é o estado último do afastamento de Deus (23, 35)

Deus não criou as pessoas para a perdição, mas para a vida eterna. Mas, quem se afasta de Deus perde toda a conexão com a felicidade. A pessoa que se chega mais para Deus cresce em todos os níveis de existência humana. Cresce espiritualmente.

Por fim, a história de pessoas com seus acertos e erros estão nos registros bíblicos. E todos os registros de pessoas quer sejam maus ou bons, a Bíblia não esconde, porque nos servem para percebermos onde estamos e fazer a coisa certa.

A desobediência, a mentira e a hipocrisia teve como resultado a perdição de Saul. São ações que não devem ser imitadas por ninguém. É bom seguir os conselhos da Bíblia, pois, vive-se num tempo em que faz mais sucesso quem tem uma vida errada. Por que não imitar o que é bom?

 ELA E EU