quinta-feira, 17 de setembro de 2026

MODOS DE EXISTÊNCIAS CONTRASTANTES

MODOS DE EXISTÊNCIAS CONTRASTANTES

Uma reflexão filosófica e teológica sobre as diferentes maneiras pelas quais o ser humano compreende, assume e conduz sua existência.


Rev. Nelson Célio de Mesquita Rocha

A nossa existência é marcada por contrastes. Isso exige reflexão sempre, a fim de vivermos buscando sempre o equilíbrio. O equilíbrio é um exercício que devemos fazer a cada dia. Sendo assim, é preciso atentar para alguns pontos.

1. Existir biologicamente e existir conscientemente

Todo ser vivo participa da existência, mas o ser humano não apenas vive: ele também interroga a própria vida. A consciência permite que a pessoa reflita sobre sua origem, seu destino, suas escolhas e o sentido de sua presença no mundo.

2. Existência autêntica e existência massificada

A existência autêntica envolve assumir a responsabilidade pelas próprias decisões, reconhecer a liberdade e agir com consciência. Em contraste, a existência massificada pode ser marcada pela submissão irrefletida aos costumes, às opiniões coletivas e aos padrões impostos pela sociedade.

3. Existência orientada pelo ter e existência orientada pelo ser

Há uma maneira de viver centrada na acumulação de bens, no prestígio e no poder. Outra prioriza o caráter, a comunhão, a justiça, a solidariedade e o desenvolvimento interior. A diferença não está simplesmente em possuir ou não possuir, mas naquilo que ocupa o centro da vida.

4. Existência segundo a autonomia humana e existência segundo Deus

Na perspectiva cristã, a autonomia absoluta — a pretensão de determinar o bem e o mal independentemente de Deus — contrasta com uma existência orientada pela vontade divina. A Escritura apresenta essa questão desde Gênesis 3 (trata da queda do ser humano do seu estado de integridade) e a retoma no chamado à obediência, à fé e à santidade.

“Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos.” — Atos 17.28

5. Existência marcada pelo amor e existência marcada pela indiferença

O amor reconhece o outro como alguém digno de cuidado. A indiferença, por sua vez, pode transformar o próximo em objeto, número ou simples instrumento. Jesus contrasta essas atitudes na parábola do bom samaritano (Lucas 10.25-37).

Em síntese, os modos de existência contrastantes revelam que viver não é apenas ocupar um espaço no mundo. É escolher valores, estabelecer relações e responder à questão fundamental: que tipo de pessoa estamos nos tornando por meio da maneira como existimos?

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

VIDA: EXISTÊNCIA COMPLEXA

VIDA: EXISTÊNCIA COMPLEXA


Rev. Nelson Célio de Mesquita Rocha

A vida humana é uma existência complexa. Segundo Edgar Morin, sociólogo francês que morreu próximo de completar 105 anos (1921-2026), a melhor definição para complexo (Complexus) é "aquilo que é tecido junto" (Os Sete Saberes necessários à educação do futuro, p 38). Significa que, de fato, há complexidade quando elementos diferentes são inseparáveis constitutivos do todo. Por exemplo: o econômico, o político, o sociológico, o psicológico, o afetivo, entre outros aspectos.

Diante desta breve definição, pode-se procurar refletir sobre a vida humana na Terra, isso sem mencionar a vida animal de modo geral. Porém, esta reflexão tem como objetivo focar na vida humana. O ser humano é o centro de tudo o que ocorre no mundo, observando-se os aspectos citados no início deste assunto.

Alguns pontos são importantes para serem considerados, a fim de se compreender o que realmente é a vida humana.

Primeiro. A vida humana é um mistério, porque é derivada do Grande Mistério que é Deus. Assim creem os criacionistas. Eu, assim como muitos, creio que a vida é dom de Deus. Na Bíblia, no Livro dos Salmos, o Salmo 139.13 afirma: "Pois tu (Deus) formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe". Esta é uma declaração de fé, que para os criacionistas é inegável, e ponto final.

Segundo. Mesmo que a vida seja obra do Criador, ela não se desenvolve sem embates. A vida é uma grande batalha com várias lutas. A vida é, muitas vezes, repleta de conflitos. Jesus de Nazaré declarou que "No mundo passais por aflições... (João 16.33). Ele mesmo viveu uma vida de conflitos desde o seu nascimento. Ele foi perseguido, humilhado e assassinado. Ele foi pregado numa cruz. Sendo assim, não se pode ignorar que a vida é uma guerra com muitas lutas. A vida não é somente de vitórias. E quem ignorar essa realidade, ignora a própria vida. Uma hora se ganha, outra hora se perde. Jesus afirmou que "... Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida por minha causa achá-la-á" (Mateus 16.25).

Terceiro. É preciso considerar que, mesmo diante das lutas da vida, é preciso ter bom ânimo. Jesus disse, em contrapartida diante das aflições: "... Mas tende bom ânimo; eu venci o mundo). É fundamenta ter determinação diante do perigo ou do sofrimento. Ânimo é vida em movimento. Cada dia apresenta fatos evitáveis e inevitáveis. Há surpresas boas e desagradáveis. É como o tempo com suas estações. Há variações, à semelhança de uma peça musical ou teatral.

Para concluir. A vida é dom de Deus. A vida é complexa, cheia de dualidades. Mas é preciso ter bom ânimo, discernimento, sabedoria e prudência para tomar qualquer decisão. E, sob a orientação de Deus em sua Palavra, pode-se encontrar o equilíbrio, a fim de não sairmos cambaleantes e sem direção na caminhada. Disse Jesus: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida..." (João 14.6).


quarta-feira, 2 de setembro de 2026

A DINÂMICA DA VERDADEIRA LIBERDADE

A DINÂMICA DA VERDADEIRA LIBERDADE


Rev. Nelson Célio de Mesquita Rocha

Texto bíblico: 2 Coríntios 3.17

A partir da metade da década de 70 até 80 do século XX, nas principais ruas e avenidas do centro do Rio de Janeiro, pessoas clamavam por liberdade, geral e irrestrita. Partidos políticos, movimentos sindicais e estudantis, bem como pessoas, no geral ou no particular, participavam de passeatas clamando por liberdade.

Que liberdade queriam? Em todos os aspectos. O País conquistou a liberdade? Sim e Não. O aspecto positivo está na conquista da liberdade de expressão e da reivindicação dos direitos das pessoas. Mas, o esforço dos movimentos não conseguiu atingir as marcas de uma liberdade integral.

Deus criou o ser humano para exercer a sua liberdade de forma dinâmica, mas com responsabilidade. Dentro de cada um de nós existem os anseios pela verdadeira liberdade, mas não se consegue vivê-la de maneira plena, porque se vive numa situação de desarmonia com o Criador.

No texto bíblico de 2 Coríntios 3.17, é enfatiza uma liberdade que não tem pertinência com o que a Lei de Moisés determina: terror aos que estão diante dela (3.7-8). O povo de Israel recebeu da Lei de Moisés o espírito de escravidão para temor (3.13-16).

Observava-se, unicamente a literalidade. O véu que cobria o rosto de Moisés era um sinal da futura cegueira do povo de Israel. A lei era obscura ao povo cego em pecado e somente através de Cristo seria capaz de ter verdadeiro discernimento. Essa cegueira impedia o povo de tirar proveito do ensino da lei.

Quando o texto afirma que há liberdade, é porque não há mais escravidão, pois a Lei em si mesma é plena de luz, porém só apreciamos sua claridade quando nos é revelado Cristo nela.

O propósito do texto bíblico é objetivar o ofício libertador de Cristo, que veio a este mundo para trazer nEle mesmo a libertação total e integral do ser humano. Espiritualmente o homem está morto, mas quando é este tocado pela graça divina, é reanimado definitivamente.

A presença do Espírito é vivificadora. Cristo é o Espírito, porque ele nos vivifica com o poder gerador de vida do Seu Espírito, que foi enviado. Sendo assim, recebe-se o benefício dessa presença: há liberdade. Somos, por natureza, escravos do pecado, mas libertos através da ação do Espírito.

Esta é uma ação eficaz, dinâmica que produz a verdadeira liberdade, que progressivamente Deus faz Sua Glória brilhar em nós paulatinamente.

Os apontamentos que seguem podem ordenar essa dinâmica da verdadeira liberdade.

1. O ESPÍRITO DO SENHOR É ORIGINADOR E DINAMIZADOR DA VERDADEIRA LIBERDADE

A Bíblia trata da unidade trinitária, que somente pode haver dinâmica, pela ação do Espírito. Espírito do Senhor significa a liberdade de Deus e a sua soberania. Sendo assim, ele é o originador da liberdade que comunica a nós seres humanos pelos méritos de Jesus Cristo.

Cristo Jesus é a vida da Lei. Todos devem acolher o Dom de Deus em Cristo, aplicado no mais profundo do nosso ser pelo Espírito do Senhor Essa ação promove uma dinâmica que nos aperfeiçoa a cada dia (2 Co 3.18).

2. O ESPAÇO ONDE O ESPÍRITO DO SENHOR AGE SE TRANSFORMA EM VIDA

O Espírito Santo habita nos que o recebem (Jo 14.17). Nós somos o espaço onde o Senhor habita, nos tornando comissionados para uma participação dinâmica na sua obra que é a Igreja na terra.

O Espírito Santo santifica a nossa vida. A nossa realidade passa a ser não a de descontrole, mas de equilíbrio em todos os sentidos, pois o Espírito do Senhor dinamiza a vida, dando sentido à existência.

3. A LIBERDADE É A ÇÃO MAIS EFICAZ DA VIDA INDIVIDUAL E COLETIVA

A ação da verdadeira liberdade, que nos é concedida por graça de Deus, pelo seu amor, é sem medida e eficaz. Faz ser pessoa.

A liberdade que o Espírito promove é para se exercer a responsabilidade humana mais importante: glorificar a Deus e tê-lo como criador e salvador.

A liberdade para não mais sermos condenados pela força do pecado. A liberdade para não sermos ignorantes a respeito da vida que vem de Deus. Os amantes da lei tinham um véu de Moisés sobre mentes e corações. Mas a graça de divina, nos faz enxergar uma nova realidade.

A liberdade que desfaz todo o legalismo, ou extremismos, que fazem com que a vida não tenha sentido. Liberdade para a vida.

O reformador Lutero afirmou em sua obra “Da Liberdade Cristã”: “Um cristão é senhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém. Um cristão é servidor de todas as coisas e sujeito a todos”.

Jesus Cristo diz: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8.32).

terça-feira, 1 de setembro de 2026

SINAL DE ALERTA DE DEUS PARA A HUMANIDADE

SINAL DE ALERTA DE DEUS PARA A HUMANIDADE


Rev. Nelson Célio de Mesquita Rocha

“Quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas.” — Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 24.33

Deus, em sua misericórdia, não abandona a humanidade à própria sorte. Ao longo da história, Ele tem levantado sinais, advertências e chamados ao arrependimento. Os sinais não existem para alimentar especulações sobre datas, mas para despertar a consciência humana e conduzi-la de volta a Deus.

Alguns pontos são necessários para um início de reflexão.

1. OS SINAIS REVELAM A GRAVIDADE DO MOMENTO

Jesus falou de guerras, conflitos, fome, terremotos, enganos religiosos e esfriamento do amor (Mateus 24.4-12).

Os acontecimentos do mundo não devem produzir apenas medo. Devem levar-nos a perguntar:

O que Deus está querendo nos ensinar?

O maior perigo não é simplesmente viver em tempos difíceis, mas viver em tempos difíceis sem perceber o chamado de Deus. E, para que isso seja percebido, faz-se necessário observar os ensinamentos de Deus na Bíblia Sagrada.

2. O SINAL DE ALERTA É UM CHAMADO AO ARREPENDIMENTO

Na Bíblia, muitas advertências divinas tinham uma finalidade: dar ao ser humano a oportunidade de mudar de direção.

“Arrependei-vos e convertei-vos...” — Atos 3.19

Deus adverte porque ama. O alerta é uma expressão da misericórdia divina.

A humanidade precisa reconhecer que o progresso científico e tecnológico não consegue resolver o problema fundamental do coração humano: o pecado.

3. O MAIOR SINAL É A NECESSIDADE DE ESTARMOS PREPARADOS

Jesus concluiu seu ensino escatológico com um chamado à vigilância:

“Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.” — Mateus 25.13

O cristão não deve viver em pânico diante dos acontecimentos, mas em vigilância, fé, santidade e esperança.

O verdadeiro sinal de alerta não é apenas aquilo que acontece fora de nós, mas aquilo que Deus deseja realizar dentro de nós.

Para concluir esta brevíssima reflexão, que é um aviso, não da Defesa Civil de cada lugar do mundo, mas de Deus, precisamos, talvez, não fazer a pergunta diante dos sinais do nosso tempo: “Quando será o fim? Mas:

“Estamos preparados para encontrar o Senhor?

Os sinais são um alerta.
As advertências são um chamado.
O arrependimento é uma oportunidade.
Cristo é a esperança.

Jesus Cristo disse: “Eis que venho sem demora.” — Apocalipse 22.12

Quando Deus permite que os sinais se multipliquem, a Igreja não deve entrar em pânico; deve despertar, vigiar, anunciar o Evangelho e preparar-se para a volta de Cristo.”