sábado, 15 de novembro de 2025

O MONUMENTO QUE O REI SAUL CONSTRUIU PARA SI MESMO

O MONUMENTO QUE O REI SAUL CONSTRUIU PARA SI MESMO


Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha (Pastor presbiteriano, membro do PNIL - Presbitério de Nilópolis - RJ)

Texto Bíblico: 1 Samuel 15:1-31


A Bíblia está repleta de relatos curiosos sobre a vida de muitas pessoas. São diversos os tipos de personalidades, ricas e pobres. Cada uma com sua história. A Bíblia relata acertos e falhas. Ela não esconde as falhas de ninguém, com a finalidade de se tirar lições para o cotidiano.

A Bíblia contem uma linguagem antrópica, isto é, ela é palavra de Deus em linguagem humana.
Assim, o relato de 1 Samuel 15:1-31 pode parecer estranho para nós hoje, mas tem ensinamentos que valem para todas as pessoas de todos os credos e de todos os tempos.

O rei Saul, o primeiro rei de Israel, levantou para si um monumento. Ele mesmo se preocupou com toda a parte logística para tal ato que tem como símbolo o orgulho e a hipocrisia. Saul era um rei desobediente a Deus. Teve a oportunidade de realizar um bom governo, mas estava mais preocupado em fazer a sua vontade, do que fazer a coisa certa, que era fazer a vontade de Deus, servindo, concomitante ao povo.

O Senhor Deus lhe havia dado uma ordem, e Saul não a cumpriu integralmente (1 Samuel 15:1-3).
Existia um povo, os amalequitas (Amaleque), que era de origem antiga e incerta, provavelmente, descendente de Esaú (Gênesis 36:16). Foi o primeiro povo a atacar Israel no deserto e fê-lo traiçoeiramente, quando este estava desfalecido (Êxodo 17:8-16).

Amaleque era um foco de males, pelo que Deus determinou o seu extermínio. Foi uma espécie de higiene moral e social. Pode-se pensar aqui que Amaleque é um tipo do nosso arqui-inimigo, que é aquele que ataca covardemente; quando as pessoas se encontram desfalecidas.

Saul não executou a ordem de Deus e ainda fez para si um monumento. Saul rejeitou o Senhor. Por isso o Senhor rejeitou o Rei Saul.

O que podemos aprender para hoje e também para toda a nossa existência, sobre esta o relato bíblico:

1. A desobediência em seu grau mais elevado é rebelião (9, 23)

“Obedecer é melhor do que sacrificar” – vv. 22. A desobediência gera a morte. Todo desobediente no Antigo Testamento era condenado – v. 23. Não é o que acontece hoje. Hoje há pessoas que mentem, desobedecem, tiram a vida dos semelhantes, assaltam, discriminam, entre outras atrocidades. E, ainda contratam advogados para se defenderem. Quem tem dinheiro sai ileso.

A pessoa que procura fazer a coisa certa, ainda que qualquer perfeição não faça parte da existência, tem maiores chances de vencer e demonstrar que praticando o que é justo vale à pena. Mas, parece que há um apoio popular pelo que é errado. Muitos lucram com processos errados. Parece que os maus exemplos são melhores do que os bons exemplos. Há uma inversão de valores.

2. A mentira é veneno mortífero que destroi a personalidade (13-18)

Falar a verdade e proclamá-la é o recurso de quem é sábio. No Novo Testamento há o relato de Ananias e Safira que morreram por causa da mentira – Atos 5:1-11. As pessoas que mentem e pensam que se dão bem, um dia a casa desmorona. É triste o fim de quem mente. Mas, as pessoas que promovem a verdade são abençoadas.

3. A Hipocrisia religiosa desmoraliza o caráter (19-21)

Hipocrisia significa fingimento, falsidade – Saul agiu hipocritamente. Esse fato mostra que, quem pratica o fingimento, a falsidade, não pode viver feliz e muito menos existir no reino de Deus. A pessoa que reconhece o seu pecado e se arrepende, é bem-aventurada.

4. A perdição é o estado último do afastamento de Deus (23, 35)

Deus não criou as pessoas para a perdição, mas para a vida eterna. Mas, quem se afasta de Deus perde toda a conexão com a felicidade. A pessoa que se chega mais para Deus cresce em todos os níveis de existência humana. Cresce espiritualmente.

Por fim, a história de pessoas com seus acertos e erros estão nos registros bíblicos. E todos os registros de pessoas quer sejam maus ou bons, a Bíblia não esconde, porque nos servem para percebermos onde estamos e fazer a coisa certa.

A desobediência, a mentira e a hipocrisia teve como resultado a perdição de Saul. São ações que não devem ser imitadas por ninguém. É bom seguir os conselhos da Bíblia, pois, vive-se num tempo em que faz mais sucesso quem tem uma vida errada. Por que não imitar o que é bom?

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

PERSEVERANDO DIANTE DOS OBSTÁCULOS

PERSEVERANDO DIANTE DOS OBSTÁCULOS

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha (Pastor presbiteriano, membro do PNIL - Presbitério de Nilópolis - RJ e Professor de Teologia Sistemática)


Texto Bíblico: Lucas 21:5-19

Talvez a mais difícil ação da vida humana não seja a de começar a se fazer alguma coisa, mas a de perseverar no desenvolvimento dos empreendimentos, pois surgem obstáculos. Quem persevera, aprende com o tempo, tornando-se uma pessoa experiente. Principalmente hoje e em qualquer momento, quando se requer paciência, em meio às adversidades.

Perseverar significa: persistir; conserva-se firme e constante. É a constância da experiência de fé, mesmo que tudo indique o contrário.

O texto do Evangelho de Lucas 21:15-19, não trata do fim do mundo, do fim de todas as coisas, mas é parte da destruição de Jerusalém no ano 70 AD, quando o general romano, Tito, invade Jerusalém, destruindo a cidade dos judeus e o Templo com a sua bela construção.

É bem verdade que o relato trata também em parte daquilo que expressa Jesus sobre a certeza quanto ao triunfo final, embora tenha de haver dias de dificuldade pela frente. É por isso que o Evangelho nos adverte, de que não devemos ficar sobrecarregados com as dificuldades deste mundo. Mas, devemos ficar constantemente vigilantes.

Muitas pessoas, senão todas as que fazem uso da razão, andam preocupadas, assim como os discípulos de Jesus, que lhes pediam um sinal da destruição vindoura. Há muitos que se preocupam em querer decifrar os sinais e fazer certas previsões futurísticas, principalmente no campo religioso.

Jesus não se preocupa em dá um só sinal específico; mas adverte seus seguidores a não se deixarem enganar pelos acontecimentos tumultuosos que ocorreriam no decurso do tempo. Jesus não estava predizendo o fim do mundo como os falsos profetas que faziam tais predições. Muitos viriam em seu nome dizendo: “Sou eu!” “Chegou a hora!” Disse Jesus: “Não o sigais”.

Antes que chegue o final, muita coisa há de acontecer, porque o coração do ser humano sem Deus é totalmente voltado para o mal, entretanto, é preciso dar testemunho. É uma oportunidade para realizar a vontade de Deus, não pela oratória virtuosa, mas pela prática do Evangelho.

Jesus não subestima os obstáculos que impedem a vida ter o seu curso normal, mas recomenda a perseverança, porque a providência de Deus será e é o maior tesouro que o cristão pode ter para vencer.

Vejamos o entendimento da perseverança para a superação dos obstáculo na existência:
1 – A PERSEVERANÇA NÃO INDICA UMA VIDA DE CONTEMPLAÇÃO

A vida não deve ser vivida no estado de contemplação de coisas que são passageiras, pois tudo será consumido, até mesmo as grandes construções. O Templo que Herodes construiu visava apenas o impedimento da vida e não a glória de Deus. A história tem seu curso, e as pessoas participam dela, ainda que venham as dificuldades. Por isso, não é fundamental não se enganar com certos discursos, mesmo com tom de piedade, mas confiam na Palavra de Deus.

2 – A PERSEVERANÇA NÃO INTERPRETA OS SINAIS DA HISTÓRIA COMO O ESTADO FINAL, MAS COMO O INÍCIO DA VIDA

Falsos messias, guerras, revoluções, terremotos, epidemias, fome, sinais no céu, não podem decretar o final da história, nem atemorizar a vida humana. A pessoa que crê, tem a certeza de que Deus está no controle e que Ele realizará o seu propósito, mas não tem a certeza de qual posição ela tem naquele propósito. A certeza de quem exerce a sua fé está no triunfo de Deus. Por isso é preciso anunciar a vida verdadeira a partir do encontro com Deus e não o fim da vida, nem do mundo.

3 – NA PERSERVERANÇA É QUE SÃO VENCIDOS OS OBSTÁCULOS

Perseverar é exercitar a fé e a Bíblia nos ensina a sermos perseverantes na missão que recebemos do Senhor. Vários textos bíblicos tratam deste assunto, como por exemplo: Romanos 5:3,4; Efésios 6:18; Colossenses 1:11; Hebreus 10:36; Hebreus 12.1.

Quando se persevera, também se pode contemplar a vitória sobre os obstáculos – que são inevitáveis, mas que são vencidos pelo poder de Deus. “Contudo, não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça.” (Lucas 21:18).

Perseveremos todos, pois o Senhor é fiel em todas as suas palavras e justo em seus caminhos. O Senhor virá com poder e grande glória. Mesmo que não saibamos os tempos, corramos com perseverança a carreira que nos está proposta. Não desanimemos.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

O TRISTE FIM DE QUEM AJUNTA BENS MAL ADQUIRIDOS

O TRISTE FIM DE QUEM AJUNTA BENS MAL ADQUIRIDOS


Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha


O atos de pessoas ajuntarem bens mal adquiridos não são ações somente do tempo presente, mas de todos os tempos da história da humanidade. A Bíblia relata que, desde o ato de desobediência contra o Criador, as pessoas passaram a cometer tais ações.

No Livro do Gênesis, da biblioteca inigualável do Planeta Terra, no capítulo 3, têm-se o início de atos que os seres humanos começaram a praticar. Ainda que alguns pratiquem bons atos, sempre têm os que cometem atos abusivos, os quais prejudicam a si mesmos e aos semelhantes, atingindo até o ecossistema. Em Gênesis 3:17 está escrito: "... Maldita é a terra por tua causa...". Sendo assim, não se pode colocar a culpa em um ser metafísico, deixando o ser humano de assumir a sua culpa.

No Livro do profeta Habacuque 2:9 está registrado: “Ai daquele que ajunta em sua casa bens mal adquiridos, para pôr em lugar alto o seu ninho, para escapar do poder do mal.” É uma ilusão da segurança construída sobre o erro do alvo, ou seja, do que a Bíblia denomina de pecado.

O profeta Habacuque viveu em tempos de injustiça e corrupção. Ele viveu, provavelmente, para ver o cumprimento de sua profecia, inicialmente, quando Jerusalém foi atacada pelos babilônios em 597 a.C. Ele via os poderosos enriquecendo às custas do sofrimento dos fracos, e questionava: "Até quando, Senhor?" (Habacuque 1:2).

A citação de Habacuque 2:9 citada acima é uma denúncia divina contra aqueles que constroem sua prosperidade sobre a base da injustiça. É uma palavra dura, mas necessária — especialmente em tempos em que o lucro se tornou mais importante do que a ética.

Os pontos que seguem têm a finalidade ajudar a entender a temática proposta, sobre o triste fim de quem ajunta bens mal adquiridos.

O ENGANOSO CONFORTO DOS BENS MAL ADQUIRIDOS

O verbo “ajuntar” indica acúmulo, mas não fruto do trabalho honesto — e sim da exploração, da corrupção e da fraude. A pessoa acredita que, ao enriquecer por qualquer meio, encontrará estabilidade e segurança. Porém, o pecado jamais serve de alicerce sólido — ele apodrece a estrutura da alma. Toda riqueza suja vem acompanhada de uma dívida moral e espiritual.

A ILUSÃO DA SEGURANÇA É UMA CONDIÇÃO DO CORAÇÃO CORRUPTO

Inserido no mesmo relato consta o que vem depois: “...para pôr em lugar alto o seu ninho, para escapar do poder do mal.” A imagem do “ninho em lugar alto” fala de autossuficiência e soberba — o mesmo sentimento de quem acredita estar fora do alcance da justiça humana e divina.
Assim como o ímpio de Salmo 49 pensa que sua casa durará para sempre, o corrupto acredita que jamais será descoberto. Mas Deus vê o que se faz em oculto. E o ninho construído com pena alheia se desfaz com o vento da verdade.

O JULGAMENTO DIVINO É CERTO E ACONTECE NO TEMPO PRESENTE

Em (Habacuque 2:10) está escrito: “Planejaste o opróbrio para tua casa, destruindo muitos povos, e pecaste contra tua alma.” O pecado que fere o próximo é também uma autodestruição. O julgamento de Deus pode demorar, mas é inevitável. Bens mal adquiridos trazem maldição: para quem os possui, para sua família e para sua descendência.

ONDE ESTÁ A VERDADEIRA RIQUEZA?

A verdadeira prosperidade não está em ter muito, mas em ter com justiça. Em Provérbios 10:22, consta: “A bênção do Senhor é que enriquece, e não acrescenta dores.”. Assim, a integridade é a moeda do Reino de Deus — e o tesouro do justo é eterno.

Habacuque anuncia um “ai” — uma lamentação — sobre quem se corrompe para prosperar.
Essa palavra é também um convite ao arrependimento. Porque o mesmo Deus que denuncia a injustiça, oferece perdão ao que se volta para Ele com sinceridade. “Melhor é o pouco com justiça, do que grandes rendas com injustiça” (Provérbios 16:8).

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

ENTROPIA E INFORMAÇÃO

ENTROPIA E INFORMAÇÃO
Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha


Existem muitas informações na mídia, principalmente nas redes sociais da Internet, que se configuram como uma mixórdia de notícias, e diante desse movimento fica difícil saber o que é falso e o que é verdadeiro. O pior é que existe um público que não para e faz uma reflexão. Esse público não mede esforços para passar adiante um escrito ou um vídeo veiculando uma notícia falsa e causadora de problemas de ordem moral.
A Internet sendo bem utilizada, torna-se um instrumento favorável à comunicação. Mas, por outo lado, existem campos ou terras de alguém ou sem donos. São veiculadas notícias consideradas "fakes news", passando-se por verdades, que chegam a confundir as mentes incautas.
Este assunto já foi e continua sendo todos os dias objeto de reflexão, onde há a redundância que é sinal conhecido e sinal conhecido é mensagem previsível. À medida que aumenta a probabilidade de conhecimento prévio da mensagem sem discernimento, mais diminui o teor da informação da mesma. Há o que se chama uma perda térmica no sistema, que passou de um estado de diferenciação e organização para um estado de indistinção. A essa tendência a ausência de diferenciação dá-se o nome de entropia.
Entropia aponta para a desordem. Na construção de toda a mensagem ela sempre estará presente em algum grau, principalmente no nível da estrutura semântica, ocasião em que se considera a informação como o negativo da entropia, que está sempre ligada à ideia de seleção, escolha e organização dos signos.
Ora, selecionar signos na comunicação, importa na existência de alternativas. Então, a resposta para conter a informação deve ser uma entre várias alternativas, isto é, a quantidade de alternativas em meio das quais é possível uma escolha, pois fornece uma medida da quantidade de informação. Nessa perspectiva, a informação verdadeira deve ser mantida como instrução seletiva, uma medida de organização, apontando para a ordem. E quanto mais imprevisível for a mensagem pela originalidade dos critérios seletivo e combinatório, mais alta será a taxa de informação fornecida.
Esses critérios a que estamos nos referindo dizem respeito ao código de qualquer língua natural. Cada um deles é constituído de um número limitado de signos possibilitando combinações em número teoricamente infinito. E é justamente aquele valor de equiprobabilidade entre muitos elementos combináveis que faz a informação. Em outras palavras, quando entre duas ou mais alternativas que têm iguais possibilidades de verificar-se, apenas uma delas tem lugar, temos uma unidade de informação.
Quando uma comunicação contém muitas informações, e algumas sem originalidade, a mensagem fica truncada. E o mais difícil, é que haverá um prejuízo na decodificação e na recepção da mensagem, respectivamente.
É urgente aos que usam as redes sociais para produzir comunicação em tempos de deserdem. Pessoas do mal, utilizam a Internet para disseminar o mal com mentiras para ganharem curtidas a troco de dinheiro e fama. As pessoas do bem se utilizam da mídia para veicular o que é bom, justo e verdadeiro. Ganham dinheiro também e credibilidade. Outras pessoas podem até não ganhar muitos "joinhas", mas veiculam a verdade, e isso é o que importa.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

O ERRO DO PENSAMENTO DE SEGURANÇA PLENA EM TEMPO DE PROSPERIDADE

O ERRO DO PENSAMENTO DE SEGURANÇA PLENA EM TEMPO DE PROSPERIDADE

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha

No vasto campo da ciência teológica surgiu no século 20 ramo esquizofrênico do pensamento denominado "Teologia da Prosperidade". Essa teologia é também conhecida como evangelho da prosperidade, sendo uma doutrina teológica que afirma que a abundância material é o desejo de Deus para seus fiéis. Essa crença se baseia em interpretações não tradicionais da Bíblia, enfatizando que a fé, o discurso positivo e as doações para ministérios cristãos resultarão em riqueza material. Os defensores dessa teologia argumentam que a relação com Deus deve ser vista como um contrato: se os fiéis tiverem fé, Deus cumprirá suas promessas de segurança e prosperidade.

O Salmo 30:6, tendo como autor Davi, rei de Israel, em sua experiência, diz: “Eu dizia na minha prosperidade: não vacilarei jamais.” Isto é, em outras palavras: "Eu pensava muito seguro: jamais vacilarei.

O Salmo 30 é um cântico de gratidão de Davi, provavelmente após ter sido liberto de uma enfermidade ou de um momento de grande angústia. Contudo, em meio à celebração, o salmista reconhece um erro de sua própria alma: ele havia se sentido invulnerável na prosperidade, acreditando que nada poderia abalar sua segurança.

Essa atitude revela um engano comum — o da autoconfiança gerada pela estabilidade. Quando tudo vai bem, o ser humano tende a esquecer que sua segurança não está nas circunstâncias, mas em Deus.

Vejamos algumas observações que são importantes sobre o pensamento de segurança plena em tempo de prosperidade.

O PERIGO DE UMA FALSA SEGURANÇA (v.6)

Davi confessa: “Eu dizia na minha prosperidade: não vacilarei jamais.” A prosperidade pode gerar uma ilusão espiritual — a sensação de que o sucesso é fruto exclusivo da própria força, sabedoria ou merecimento.

Esse sentimento de autossuficiência é sutil, mas perigoso, pois substitui a dependência de Deus por uma confiança enganosa em recursos, posição ou estabilidade. A Sabedoria Bíblica alerta: “A soberba precede a ruína, e a altivez de espírito precede a queda” (Provérbios 16:18).

A DEPENDÊNCIA DE DEUS É ABSOLUTA (v.7)

Davi logo reconhece: “Tu, Senhor, por tua bondade fizeste permanecer forte a minha montanha; escondeste o teu rosto, e fiquei perturbado.” Ele entende que a sua estabilidade vinha somente da graça de Deus. Quando o Senhor “esconde o rosto”, tudo desaba. Isso nos lembra que a vida próspera sem a presença divina é uma montanha sem fundamento. Deus é a rocha verdadeira da segurança.

A PROSPERIDADE É UM TESTE DE HUMILDADE

As crises nos levam ao joelho; a prosperidade, muitas vezes, nos leva à distração espiritual.
Deus permite tempos de abundância não para que nos tornemos autônomos, mas para que aprendamos a ser gratos e humildes mesmo na fartura. Na "Torah" (Lei) está escrito: “E te lembrarás do Senhor teu Deus, porque é Ele quem te dá força para adquirires riquezas” (Deuteronômio 8:18).

A SEGURANÇA REAL ESTÁ EM DEUS, NÃO NAS CIRCUNSTÂNCIAS

Enquanto a prosperidade é passageira, o caráter de Deus é eterno. Quem deposita confiança nas coisas temporais constroi sobre areia; quem confia no Senhor edifica sobre a rocha (Mateu 7:24-27). Assim, a verdadeira segurança não depende da ausência de crises, mas da presença de Deus em todas as estações da vida.

O erro de Davi é o erro de muitos: imaginar que a prosperidade é um escudo inabalável. Mas a experiência o levou a reconhecer que toda segurança fora de Deus é ilusória. Assim, aprendemos que a prosperidade deve ser vivida com gratidão, vigilância e humildade — sabendo que, quem nos sustenta hoje é o mesmo que nos sustentou na adversidade. No final do Salmo 30 constam as seguintes palavras: “Senhor, tu transformaste o meu pranto em dança… para que o meu coração cante louvores e não se cale” (Salmo 30:11-12).

domingo, 9 de novembro de 2025

A COMPAIXÃO DE DEUS É UNIVERSAL E NÃO NACIONALISTA

A COMPAIXÃO DE DEUS É UNIVERSAL E NÃO NACIONALISTA

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha



Há um ditado no Brasil muito conhecido no Brasil que é proferido por muitos brasileiros, o qual é dito assim: "Deus é brasileiro". Assim também como estava na mente de Jonas: "Deus é hebreu", ou mais tardiamente: "Deus é judeu". Também no Cristianismo é comum ouvir ou ler que "Deus é cristão". Mas, não é este o modo, segundo a Bíblia, de se tirar ideias a respeito de Deus. ADONAY, conforme está no hebraico, não é de propriedade de ninguém e de nenhuma nação.

No Livro do Profeta Jonas 4:11, está escrito “E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua esquerda, e também muitos animais?”

O livro de Jonas termina com uma pergunta divina. É uma das conclusões mais surpreendentes da Bíblia: não há resposta registrada, apenas o silêncio do profeta e a voz da misericórdia divina ecoando através dos séculos. Jonas, o profeta relutante, aprendeu da forma mais dura que o amor de Deus ultrapassa fronteiras, etnias, religiões e moralidades humanas. Deus não se limita à geografia de Israel ou de qualquer nação — Ele é o Deus de toda a terra (Cf. Salmo 24:1).

Entendamos alguns pontos sobre o assunto no conteúdo do Livro do Profeta Jonas.

O CONFLITO NA MENTE DO PROFETA

Jonas queria justiça, mas Deus ofereceu graça. Jonas pregou, Nínive se arrependeu, e Deus perdoou. É interessante observar que, para Jonas, isso era inaceitável, pois os ninivitas eram inimigos cruéis de Israel.

O profeta desejava um Deus “nacionalista”, mas o Senhor revelou-se universal. “Com isso, desgostou-se Jonas extremamente e ficou irado” (Jonas 4:1). Aqui se revela o coração humano: queremos misericórdia para nós e juízo para os outros.

O ENSINO DIVINO É PROFUNDAMENTE DIDÁTICO E ULTRAPASSA OS GATILHOS DE INCLEMÊNCIA DA MENTE HUMANA

Deus, com paciência pedagógica, usa uma planta, um verme e um vento para ensinar ao profeta o valor da compaixão. Jonas se alegra com a sombra da planta, mas não se importa com a destruição de uma cidade inteira. Então Deus pergunta: “E não hei de Eu ter compaixão de Nínive...?” É como se dissesse: “Jonas, se você se compadece de uma planta, como Eu não Me compadeceria de pessoas criadas à Minha imagem?”

A COMPAIXÃO UNIVERSAL DE DEUS EM CONTRAPOSIÇÃO À LIMITAÇÃO DO PENSAMENTO POSSESSIVO QUE ESTABELECE FRONTEIRAS

Deus é compassivo não apenas com Israel, mas com todos os povos. Sua graça alcança o pecador arrependido, independentemente da origem.

Sendo assim, aprendemos que a compaixão divina é: Universal – não conhece fronteiras. É pessoal – toca cada coração. É inclusiva – até os “muitos animais” são lembrados (v. 11), mostrando o cuidado de Deus pela criação. “O Senhor é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras” (Salmo 145:9).

Um apelo veemente é feito a todos - Evitemos o exclusivismo religioso. Deus ama até os que julgamos indignos. Preguemos com compaixão. O evangelho não é instrumento de condenação, mas de reconciliação. Imitemos o coração de Deus. A verdadeira espiritualidade se mede pela nossa capacidade de amar o que Deus ama.

O livro de Jonas termina sem a resposta do profeta — talvez porque a resposta cabe a nós.
A pergunta divina continua ecoando: “E não hei de Eu ter compaixão...?” Sim, Deus tem compaixão: de Nínive, de Israel, do Brasil, e de toda a humanidade. A cruz de Jesus é a prova final da compaixão universal de Deus.

sábado, 8 de novembro de 2025

VERMELHO BRASIL DESDE 1500

VERMELHO BRASIL DESDE 1500

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha


A cor vermelha é uma cor vibrante e poderosa, frequentemente associada a emoções intensas como paixão, amor, raiva e perigo. Essa cor, minha preferida, tem alguns significados, como por exemplo: o sangue dos mártires em prol da justiça e da paz; o fogo como símbolo das línguas do Dia de Pentecostes, onde o Espírito Santo outorgou à Igreja poder para proclamar o Evangelho a todas as nações (Atos dos Apóstolo, capítulo 2); o sangue das vítimas da violência impetrada por pessoas sem alma e sem coração. Poderia citar alguns outros significados, mas o leitor poderá pesquisas nos diversos sites de pesquisa na Internet.

Eu não sou psicólogo, porém gosto muito da Psicologia, e com isso faço menção da cor vermelha nessa ciência que estuda a mente e o comportamento humano. Na Psicologia a cor vermelha tem um significado amplo. Ela pode evocar sentimentos de paixão e amor, sendo frequentemente associada a relacionamentos românticos e atração. No entanto, também pode simbolizar raiva e agressividade, como evidenciado pela expressão "vermelho de raiva". O vermelho é uma cor que capta a atenção e pode provocar reações emocionais fortes, tanto positivas quanto negativas.

Sobre o título em epígrafe, faço também uma referência ao filme "Vermelho Brasil", com os títulos originais "Brazil Red" ou "Rouge Brésil", que é um longa metragem e uma minissérie de televisão coproduzido pelas emissoras: France 2 (França), TV Globo (Brasil) e RTP (Portugal).

Estas emissoras uniram-se com as empresas Globo Filmes, Conspiração Filmes, Pampa Productions (produtora francesa), CD Films (empresa do Canadá) e a Stopline (produtora portuguesa) para produzir um folhetim televisivo e um longa-metragem. A produção iniciou em 2011 e o lançamento do filme para o cinema ocorreu em junho de 2014, enquanto que a exibição da minissérie na televisão francesa ocorreu em dois episódios (100 minutos cada), transmitidos nos dias 22 e 23 de janeiro de 2013.

Eu tive a oportunidade de assistir com alunos da faculdade de Teologia e debater sobre esse filme "Vermelho Brasil", que é um épico histórico baseado no livro homônimo (Rouge Brésil) do escritor francês Jean-Christophe Rufin e dirigido pelo canadense Sylvain Archambault. Entre os 75 atores que participaram do filme, estão nomes como Stellan Skarsgård, Joaquim de Almeida, Théo Frilet, Juliette Lamboley, Liane Balaban, Giselle Motta, Pietro Mário, entre outros.

Outra informação. As filmagens ocorreram entre 2011 e 2012, em vários pontos do estado do Rio de Janeiro, como na localidade de Taquari e na praia de Trindade, regiões da cidade de Paraty, ou no Alto da Boa Vista e na Barra de Guaratiba, na cidade do Rio de Janeiro, além de Xerém, em Duque de Caxias.

O projeto "Brazil Red" foi além de apenas um filme. Dirigido por um canadense, reuniu uma mistura de atores, técnicos e profissionais de países, numa produção orçada em R$ 20 milhões (entre este montante, R$ 10 milhões são dos parceiros franceses e R$ 7 milhões dos parceiros brasileiros, sendo R$ 3 milhões de recursos de incentivos fiscais vinculados à TV Globo). Foram utilizados 75 atores e 2 mil figurantes, além de 141 profissionais de filmagens, produção e edição.

A língua predominante do filme é o inglês, pois o projeto também atende o mercado norte-americano e internacional. Sobre o lançamento do filme ocorreu nos cinemas brasileiros em junho de 2014, mas a produção também preparou duas minisséries televisivas: uma com dois capítulos de 100 minutos cada, para ser exibida nas televisões europeias, e outra, em cinco capítulos de 40 minutos de duração, para ser exibida pela Rede Globo de Televisão.

Esse filme vale à pena assistir e comentar. Mas um fator me despertou sempre a minha atenção. Esse fator é o problema da violência, do derramamento de sangue, do assassinato sem motivo qualificado. Pessoas são expulsas de suas residências e de suas cidades, por facções de marginais que fazem o que querem em nosso País. Alguém já apresentou em uma canal de TV, um mapa do Brasil quase todo de vermelho, mostrando a presença da violência no território do "Gigante pela própria natureza". Quem conhece um pouco da história, particularmente do Brasil, sabe que desde o início foi uma história de exploração, envolvendo derramamento de sangue. É claro que, não é só no Brasil que isso aconteceu e acontece, porque o ser humano sem Deus é violento. E, essa violência, muitas vezes é custeada por quem está nos mais altos cargos do poder público.

Por fim, para que eu não me torne prolixo. O Brasil e o Mundo precisam, verdadeiramente, da integralidade da vida e da obra expiatória de Jesus. Com seu sangue, vermelho, pode purificar os pecados de quem o recebe como Senhor e Salvador. Quem acolhe a graça de Deus revelada em Jesus, ainda que sofra, terá a Verdadeira Paz, e a Terra terá menos violência.

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