sexta-feira, 7 de novembro de 2025

A IMPOSSIBILIDADE DE HAVER O ATEÍSMO REAL


Uma breve reflexão em defesa do senso da divindade no mais profundo do se humano

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha


Existe um canal no YouTube de um jovem muito inteligente, formado em Psicologia e Ciências da Religião, que se denomina ateu. É uma pessoa muito inteligente e um ótimo comunicador, sabendo interagir bem com as pessoas que ele convida para o seu canal. Ele afirma que não crê na existência de Deus.

Esse jovem criou um vídeos intitulado "Um ateu contra trinta cristãos". A metodologia é a interessante. Os cristãos que participaram são pessoas de várias idades maiores de 18 anos. Os cristãos ficaram dispostos em forma de círculo e esse jovem ateu no meio. Nesse vídeo, as pessoas do círculo cristão disputavam entre elas para ver primeiro quem se assentava numa cadeira diante do ateu, a fim confrontá-lo com perguntas e afirmações de defesa da existência de Deus. E, ele respondia as perguntas e tentava desfazer as afirmativas com seus argumentos. Interessante também é o tratamento respeitoso entre ele e os cristãos. Esse vídeo e outros que ele gravou e grava, tem milhares de curtidas e comentários.

Mesmo sendo interessante a metodologia do jovem ateu, envolvendo uma excelente dinâmica, em todos os momentos ele se utilizou de premissas que ele crê para defender suas ideias. Assim ele tem de crer nos seus argumentos.

Ao se investigar o ser humano e seu comportamento, em quaisquer partes do mundo, percebe-se que não pode haver possibilidade nenhuma de ateísmo real. O senso de religião e da existência de um ser superior, está internalizado no mais íntimo do ser humano. É a manifestação que, se abarcarmos a humanidade inteira seja com relação ao espaço quanto ao tempo e não somente este ou aquele outro grupo de época histórica particular, assume proporções notabilíssimas. Na mente humana está gravado um senso da divindade que não pode ser erradicado, pois a mente humana é inclinada à religião. E, pessoas sem religião se assemelham aos seres irracionais.

Desde o princípio do mundo, nenhuma religião, nenhuma cidade, nenhuma casa, afinal, tenha excluído do seu bojo qualquer forma de religião. A religião é o tesouro que está dentro do homem. Isso quer dizer que, Deus é uma realidade insofismável.

O filósofo da morte de Deus, Friedrich NIETZSCHE, afirmou: "Olhai estes sacerdotes; conquanto sejam meus inimigos, passai por diante deles silenciosamente e com espada embainhada. Também entre eles há muitos heróis, muitos sofreram demais: por isso querem fazer sofrer os outros. São maus inimigos: nada há mais vingativo do que a sua humildade. E quem os ataca facilmente se macula. O meu sangue é, porém, igual ao deles; e eu quero que o meu sangue seja honrado até no deles". (NIETZSCHE, F., Assim falou Zaratustra. [Trad. Alex Marins]; São Paulo: Martin Claret, 2005, p. 79)

A religião não se liquida com a abstinência dos atos sacramentais ou a ausência dos lugares sagrados, da mesma forma como o desejo sexual não se elimina com os votos de castidade.

Quem é o ser humano na dimensão religiosa? O ser humano, individual ou coletivo, exige esclarecimento. É preciso interrogar sobre o religioso como vínculo de conexão do sujeito (vínculo transcendental e não simplesmente histórico, factível ou positivo).

A espiritualidade ou o religioso é reconhecido como uma dimensão constitutiva da vida humana, diferente da ciência, das coisas e da estética, por exemplo, mesmo se, no concreto das coisas, essas dimensões interferem umas nas outras. É preciso saber reconhecer e desdobrar a realidade desta dimensão espiritual ou religiosa, os processos que a subentende, as janelas que se juntam. As diferentes ciências religiosas serão sempre bem vindas.

Se a espiritualidade ou o religioso se expressa no cultural e no histórico, não sendo de cunho de perversão, identificando a verdade, o absoluto ou o divino como tal. Esse fator religioso é reconhecido como riqueza histórica, cultural e antropológica, mas desprovido de valores secularizados.

Visto que a espiritualidade ou o religioso assim situado e diferenciado é profundamente humano, se guardará de privilegiar por princípio a dimensão. Uma postura cristã bem apresentada acolherá, pois não somente aos outros próximos do fenômeno religioso, mas igualmente a crítica específica do religioso como tal, seja através de Marx, Nietzsche ou Freud, por exemplo, ou de quaisquer outros estudiosos de todos os tempos que se levante para argumentar suas ideias acerca da não existência de Deus.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

A FANFARRA DO ORGULHO E O SILÊNCIO DO JUÍZO

A FANFARRA DO ORGULHO E O SILÊNCIO DO JUÍZO

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha


Uma fanfarra é um grupo musical, frequentemente ao ar-livre, que utiliza principalmente instrumentos de sopro metálicos (como trompetes e cornetas) instrumentos de percussão (como caixa, bumbo e pratos). Tradicionalmente elas tocam marchas e dobrados em eventos cívicos e festas. As fanfarras são bem comuns nas épocas de Natal ou de inaugurações de lojas de comércio para atrair os fregueses. Enfim, elas nunca saem de moda.

Dois sinônimos para fanfarra, dentro alguns, são "ostentação" e "presunção", com base no orgulho que é uma das características da mente corrompida do ser humano. Essas características faziam parte do rei Belsazar, cujo relato sobre ele se encontra no livro bíblico de Daniel, capítulo 5, e que proporciona algumas reflexões para os leitores da Sagrada Escritura , bem como para a humanidade.

O capítulo 5 de Daniel nos leva a uma das cenas mais impressionantes da Bíblia: o banquete do rei Belsazar. O império babilônico vivia seus últimos instantes de glória, mas o rei parecia alheio à realidade. Em meio à ameaça dos medos e persas, ele preferiu fazer uma festa — uma fanfarra — cheia de ostentação, irreverência e blasfêmia. Essa “fanfarra” representa o triunfo da arrogância humana, a tentativa de esconder a decadência espiritual atrás de luxo, prazer e poder.

Alguns pontos servem para o entendimento da reflexão, a fim de que se possa ter uma melhor performance na nossa trajetória de vida, pois ela além de ser frágil, passa com uma rapidez incrível.

1. A FANFARRA DA INSENSATEZ HUMANA (Daniel 5:1-4)

“O rei Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus grandes e bebeu vinho na presença dos mil.” Enquanto o inimigo cercava Babilônia, Belsazar organizava uma festa monumental. Ele ignora o perigo, pois o que a Bíblia trata como "pecado", é que este provoca a cegueira espiritual e moral..

O pecado profana o sagrado. Belsazar usou os utensílios do templo de Jerusalém, celebrando o erro e louvando “os deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra”. A fanfarra da insensatez humana é sempre assim: tenta esconder o medo com prazer, e o vazio com barulho.

2. A INTERRUPÇÃO DIVINA (Daniel 5:5-9)

“Na mesma hora apareceram uns dedos de mão de homem que escreviam...” Deus interrompe o baile. Uma mão misteriosa escreve na parede. A música para. O vinho perde o gosto. O riso morre. O rei que parecia poderoso agora treme de medo — seus joelhos batem um no outro (v.6).
Quando Deus decide falar, as fanfarras humanas se calam. É preciso acreditar nesta verdade.

3. A INTERPRETAÇÃO DE DANIEL (Daniel 5:13-28)

Daniel é chamado. O homem de Deus não se vende por presentes, nem teme o rei.
Ele anuncia a sentença divina: MENE: Contou Deus o teu reino e o acabou. TEQUEL: Pesado foste na balança e achado em falta. PERES: Dividido foi o teu reino e dado aos medos e persas.

A fanfarra de Belsazar tinha um final trágico. Deus pesou o rei, e ele foi achado em falta.

4. A QUEDA DO REINO (Daniel 5:30-31)

Todos os reinos que tentam se elevar pelo orgulho ruirão. Naquela mesma noite foi morto Belsazar, rei dos caldeus. O orgulho termina em ruína. O riso termina em silêncio. A fanfarra termina em julgamento.

Enquanto Belsazar banqueteava, o juízo se aproximava pelas portas da cidade. O império caiu sem resistência. O homem que zombou de Deus perdeu o trono e a vida.

A fanfarra do rei Belsazar continua ecoando na história humana. De que maneira? Quando a sociedade celebra o pecado e despreza o sagrado. Quando o poder se embriaga de si mesmo.
Quando as pessoas tentam abafar a voz de Deus com o barulho das festas e das aparências.

Mas Deus ainda escreve nas paredes da história: “Contado, pesado e dividido.”

A fanfarra do orgulho sempre termina com o silêncio do juízo.
Só quem se humilha diante de Deus permanece em pé quando as trombetas da justiça soam.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

O SACERDOTE X-9 - QUE DECEPÇÃO!

O SACERDOTE X-9 - QUE DECEPÇÃO!

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha


O termo X-9 refere-se a uma pessoa considerada dedo-duro, fofoqueira ou delator. A origem do termo remonta a uma história em quadrinhos americana, onde o personagem X-9 era um agente secreto que se infiltrava entre criminosos para obter informações. No Brasil, o termo se popularizou em contextos de delação e traição, sendo usado para descrever alguém que colabora com as autoridades ou informa sobre atividades criminosas.

Na Bíblia, no Antigo Testamento, em uma passagem do Livro do Profeta Amós 7:10 consta uma ação de um sacerdote tendo por nome Amazias. Assim está escrito: “Então Amazias, o sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti no meio da casa de Israel; a terra não pode suportar todas as suas palavras.”

Ainda no mesmo capítulo, há o registro das palavras de Amós a Amazia: "Respondeu Amós e disse a Amazias: Eu não sou profeta, nem discípulo de profeta, mas boieiro e colhedor de sicômoros. Mas o Senhor me tirou de após o gado e o Senhor me disse: Vai e profetiza ao meu povo de Israel." (Amós 7.14-15)

Amazias era o sacerdote de Betel, o centro do culto oficial em Israel do Norte — um culto que misturava religião com política, fé com conveniência, e adoração com idolatria. Quando o profeta Amós começou a denunciar o pecado do povo e da liderança, Amazias se sentiu ameaçado. Em vez de defender a verdade, ele preferiu defender o sistema. Assim, ele se torna o “sacerdote X-9” — aquele que delata o profeta, que trai a palavra de Deus em nome da estabilidade e do poder humano.

Alguns pontos para reflexão devem ser considerados, nestes tempos tão conturbados, onde a religião se mistura com a política de interesses pessoais, de troca de favores, ou mesmo de realizações insignificantes.

1. UM SACERDOTE COMPROMETIDO COM O GOVERNANTE, NÃO COM DEUS

Amazias deveria ser o intermediário entre Deus e o povo, mas se tornou o porta-voz do palácio. Ele fala a Jeroboão, não a Deus. Ele denuncia Amós, não o pecado. Ele protege o sistema, não a santidade.

Quando a religião se curva diante da política, nasce o sacerdote X-9: aquele que entrega os profetas e silencia as vozes da verdade.

2. UM SACERDOTE INCOMODADO COM A VERDADE

Amazias disse: “A terra não pode suportar as palavras de Amós.” O problema não era o profeta, mas a verdade que ele carregava. A voz profética incomoda porque revela o que muitos querem esconder.

O sacerdote X-9 não suporta o confronto espiritual. Prefere uma fé domesticada, que não exija arrependimento, nem mudança.

3. UM SACERDOTE QUE PERDEU O TEMOR

Em vez de discernir que Amós era mensageiro de Deus, Amazias age como informante do rei. Quem perde o temor de Deus passa a temer apenas perder o cargo, o status ou o prestígio.
Amazias não entendeu que o profeta é servo do Altíssimo, não inimigo do Estado. Isto significa que o temor do homem é a sepultura da vocação sacerdotal.

4. O CONTRASTE ENTRE AMÓS E AMAZIAS

Amós vem do campo, mas fala com autoridade celestial. Amazias está no templo, mas fala com a voz da conveniência. O profeta fala em nome de Deus; o sacerdote X-9 fala em nome do rei. Um tem unção; o outro tem posição. Um tem mensagem; o outro tem medo.

Para finalizar esta reflexão. O Espírito de Deus ainda procura profetas que não se calem diante dos Amazias do nosso tempo — líderes que se tornaram informantes do poder, delatores da verdade, sacerdotes da conveniência.

Amazias foi lembrado como o sacerdote que traiu o profeta, mas Amós permanece como o profeta que permaneceu fiel. Que a igreja de hoje escolha o caminho de Amós — o caminho da fidelidade, da coragem e da verdade. Mas, principalmente, que a Igreja siga os passos de Jesus, que foi fiel até à morte (Filipenes 2:8).

terça-feira, 4 de novembro de 2025

COBRINDO A NUDEZ EM TEMPO DE AMORES

COBRINDO A NUDEZ EM TEMPO DE AMORES
Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha


“Passei por ti, olhei-te, e eis que o teu tempo era tempo de amores; estendi sobre ti o manto, e cobri a tua nudez; dei-te juramento, entrei em aliança contigo, diz o Senhor Deus, e tu ficaste sendo minha.” (Ezequiel 16:8)
Vive-se em uma época em que a nudez passou com muita intensidade a ter prioridades nos meios de comunicação. Muitos ganham fama e dinheiro ao colocarem seus corpos à exposição pública. Houve um tempo em que qualquer ato de nudez era mais discreto. Filmes de nudez que passavam no cinema eram proibidos para menores de 18 anos. Hoje, a nudez é vista por todas as idades. Existem muitas pessoas que aplaudem os atos de nudez, e chegam a dizer que "o que bonito é para se mostrar". O pior é que tal proceder faz viralizar também a exposição infantil, gerando uma sociedade com redes de pedofilia. E, por mais que se combata a pedofilia, mais surgem segmentos que promovem tal violência usando crianças.
Criou-se a palavra "nudes" para tornar mais atraente as exposições de nudez.
A palavra "nudes" refere-se a fotos ou vídeos de uma pessoa nua ou seminua, geralmente enviados de forma privada para outra pessoa. O termo vem do inglês, que significa "pelado" ou "sem roupa", e se popularizou no Brasil com a expressão "manda nudes". Além disso, "nudes" pode descrever qualquer imagem que mostra partes do corpo humano, geralmente com o intuito de exibir a nudez e/ou a sensualidade.
O capítulo 16 de Ezequiel citado acima é uma das mais belas metáforas do amor de Deus. Ele retrata Jerusalém como uma mulher abandonada, encontrada por Deus, cuidada e amada.
O verso 8 é o ápice desse amor redentor — o momento em que Deus cobre a nudez e estabelece uma aliança.
Em tempos em que o amor se tornou interesseiro e passageiro, esse texto nos lembra do amor fiel, restaurador e comprometido de Deus.
Vejamos alguns apontamentos sobre o texto bíblico:
1. O OLHAR QUE VÊ O INVISÍVEL
“Passei por ti, olhei-te… ”Deus passa e vê.
Enquanto todos desviam o olhar da miséria, Deus a encara com compaixão.
Ele não vê apenas a aparência, mas o potencial, o que pode ser restaurado pelo Seu amor.
* Deus vê o valor escondido sob as feridas.
* Vê também o coração que pode ser curado.
* Por derradeiro vê a alma que ainda pode florescer.
O olhar de Deus é o início de toda transformação.
2. O MANTO QUE COBRE A VERGONHA
“Estendi sobre ti o manto e cobri a tua nudez…”
Na cultura hebraica, cobrir com o manto era símbolo de proteção, compromisso e casamento.
Foi o que Boaz fez com Rute (Rute 3:9).
Assim também Deus faz conosco: Ele cobre o que o pecado expôs.
* Onde havia vergonha, Ele coloca dignidade.
* Onde havia culpa, Ele coloca perdão.
* Onde havia medo, Ele coloca segurança.
O manto de Deus é a graça que cobre a nossa nudez espiritual.
Em Cristo, fomos revestidos de justiça (Isaías 61:10).
3. A ALIANÇA QUE TRANSFORMA A HISTÓRIA
“Dei-te juramento, entrei em aliança contigo... e tu ficaste sendo minha.”
O amor de Deus não é passageiro. Ele é aliança.
Quando Ele diz “tu és minha”, Ele está selando um compromisso eterno.
Essa aliança é o centro do Evangelho:
* Deus não apenas nos perdoa, Ele nos adota.
* Não apenas nos limpa, Ele nos ama.
* Não apenas nos vê, Ele nos chama de Seus.
Em Cristo, pertencemos a Deus — e nada pode romper essa aliança de amor.
Ezequiel 16:8 é o retrato do evangelho em forma de poesia.
O Deus que passou por nós não nos rejeitou, mas nos cobriu.
Hoje, Ele ainda passa — pelas ruas, pelas igrejas, pelas vidas despedaçadas — procurando corações a quem possa dizer: “Tu és minha.”
Uma aplicação do texto bíblico para hoje e para qualquer época:
* Deixe Deus cobrir suas vergonhas com o manto da graça.
* Viva com gratidão, como quem foi encontrado e amado.
* Estenda o mesmo manto sobre os outros — o amor que cobre multidão de pecados (1Pedro 4:8).

TARIFAÇO ESPITIRUAL

TARIFAÇO ESPITIRUAL
Um fenômeno antigo e que se desenvolve no contexto religioso no percurso do tempo
Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha

Um breve análise no texto bíblico de 1 Reis 12:1–14
No contexto religioso ao longo do tempo sempre ocorreram fenômenos que causam perplexidades. Dentre os muitos fenômenos se destaca nesta reflexão o "Tarifaço Espiritual".
Sabe-se que há líderes religiosos que cobram para fazerem orações e também profecias ou adivinhações.
Em relação ao texto bíblico indicado acima é importante observar alguns pontos de um fato histórico que ocorreu na existência do povo de Israel.
O reino estava dividido entre sabedoria e soberba. Roboão, filho de Salomão, herdou um povo cansado de impostos e trabalhos forçados. Eles pediram alívio. Mas Roboão, ouvindo os conselhos dos jovens e desprezando os dos anciãos, respondeu com dureza: “Meu pai vos castigou com açoites, eu porém vos castigarei com escorpiões.”
Na história de Roboão, encontramos mais do que política — vemos a dinâmica do coração humano e da liderança espiritual quando ela perde o espírito de serviço.
Hoje, muitos vivem sob um "tarifaço espiritual": uma fé cheia de cobranças, culpas e exigências humanas que sufocam o evangelho da graça.
Vejamos algumas observações sobre a proposta temática que é a do "Tarifaço Espiritual", que a própria Escritura Sagrada não deixa passar sem haver uma crítica séria.
I – O tarifaço começa quando o líder deixa de ouvir (v. 6–8)
Roboão ouviu os anciãos, mas não escutou. Ele consultou, mas não considerou.
O conselho sábio era: “Se hoje te fizeres servo deste povo...” — mas ele quis ser senhor, não servo.
Assim também acontece quando a liderança espiritual perde o ouvido pastoral, por exemplo, surgem algumas facetas de cunho negativo e que destroi vidas.
- Quando a vaidade fala mais alto que a compaixão.
- Quando a autoridade é usada para dominar, e não para servir.
Assim, o tarifaço começa no silêncio da escuta, quando o coração se fecha à sabedoria de Deus e às dores do povo.
II – O tarifaço aumenta quando o poder vira prova de fé (v. 10–11)
Os jovens disseram: "Diz-lhes: meu dedo mínimo é mais grosso que os lombos de meu pai."
Era o símbolo da competição e do poder.
Hoje, há quem pregue que fé é força, sucesso, domínio — e quem sofre é taxado de “fraco”.
Esse é o tarifaço espiritual moderno: medir espiritualidade por desempenho. Quais são as implicações?
- Se não prospera, é porque não tem fé.
- Se adoece, é porque não orou o suficiente.
- Se tropeça, é porque Deus te abandonou.
Mas Jesus veio quebrar esse jugo.
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” (Mateus 11:28)
Onde Cristo reina, a graça é gratuita — não há escorpiões no evangelho.
III – O tarifaço termina em divisão e fuga da presença de Deus (v. 16–19)
O povo respondeu: “Que parte temos nós com Davi?” — e foram embora.
Quando o jugo é pesado demais, o povo foge.
Assim também, quando a igreja impõe pesos que Deus não mandou, as almas se dispersam.
O tarifaço espiritual produz cisões, frieza e deserção.
Mas, parece que há, e de fato existe mercado para tais ações que são fenomenais no universo religioso.
Mas onde há humildade, nasce reconciliação. Onde há graça, há comunhão. O Espírito Santo reúne o que o orgulho separa.
Por fim, seguem alguns apontamentos conclusivos:
- Líderes: O chamado não é para cobrar fidelidade, mas servir com misericórdia.
- Crentes: Não aceitem um evangelho que vende o favor de Deus.
- Comunidades: O Reino não é mercado, é mesa.
E à mesa da graça, ninguém paga entrada — todos são convidados.
Roboão aumentou o jugo e perdeu o reino.
Jesus, o verdadeiro Filho de Davi, tomou sobre si o jugo do pecado e ganhou o Reino eterno.
Onde Roboão oprimiu, Cristo libertou.
Onde Roboão dividiu, Cristo uniu.
Onde Roboão cobrou, Cristo pagou.
Disse Jesus: “Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” (Mateus 11:30)

O PROFESSOR OU A PROFESSORA NÃO TEM A NATUREZA DO ESPINHEIRO

O PROFESSOR OU A PROFESSORA NÃO TEM A NATUREZA DO ESPINHEIRO

Uma reflexão bíblica sobre a natureza de quem foi chamado ou chamada para ensinar
Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha
Texto bíblico: Juízes 9.8-15

O mal está sempre querendo reinar. Parece até que o mal tem a primazia sobre o que é bom.
O mal faz ecoar mais a intensidade das notícias do que os bons acontecimentos do cotidiano.
Geralmente as pessoas comentam mais sobre as facetas negativas das pessoas do que as suas características excelentes. Há muitos que pensam ser isso por causa da inveja. Há pessoas que não suportam o sucesso de outras.
Assim, surge a pergunta: Por que isto tem de ser assim?
A Bíblia não esconde os erros das pessoas. E, no texto bíblico de Juízes 9: 8-1 há uma faceta negativa de um membro de uma família importante da Casa de Israel. Abimeleque, que procurou se estabelecer como um rei cananeu com a ajuda de Baal (v.4), formando um nítido contraste com seu pai Gideão que insistira ser o Senhor o Rei de Israel.
Abimeleque tentou reavivar os costumes cananeus no próprio lugar em que Josué anteriormente reafirmara a lealdade de Israel ao Senhor (Js 24.14-27). Em todos os aspectos, Abimeleque era a antítese dos juízes nomeados pelo Senhor.
O texto lido é uma fábula, nas quais objetos inanimados falam e agem. E, Jotão, do alto de um monte, profere em alta voz a fábula com uma mensagem poderosa.
A oliveira, a figueira e a videira eram plantas que produziam frutos de grande importância para os povos do Oriente Médio.
Já o espinheiro, provavelmente um conhecido arbusto farpudo comum nas colinas da Palestina era uma ameaça constante à agricultura. Nada produzia de valor e servia de figura apropriada para Abimeleque.
Assim, o texto bíblico transmite algumas lições e alguns contrastes fundamentais para o dia do professor. É um dia para se refletir, embora em todos os dias aqueles que têm a o dom e recebem a missão de ensinar em suas diversas áreas, exerçam em todo tempo de suas vidas esse dom que maravilhoso.
Quais são as lições que o texto nos ensina?
1. O ESPINHEIRO FERE, MAS O PROFESSOR CURA
Alguém sempre precisa de um professor. O mundo sempre precisa de um professor. As pessoas em particular precisam de um professor.
O professor cura os ferimentos produzidos pela ignorância provocada. O professor é como o azeite da oliveira: purifica as veias do coração.
Educação é geradora de vida. Ainda que o nosso País não dê o devido valor ao Professor, mesmo assim, é preciso educar.
2. O ESPINHEIRO CAUSA AMARGOR, MAS O PROFESSOR DOÇURA
A doçura do ensino gera a doçura do aprendizado. Quantos já disseram: "quero ser igual meu professor ou professora".
Houve momentos em que professores agiram como a doçura da figueira: uma doçura que não provoca o diabetes.
Há momentos da existência que são amargos, mas diante de um profundo ensino, a alegria de viver tomou conta do ser.
3. O ESPINHEIRO CAUSA TRISTEZA, MAS O PROFESSOR ALEGRIA
Quem nunca viu o sorriso de uma senhora ou um senhor com idade avançada que não sabia ler e aprendeu a ler com um professor! É algo contagiante.
O ensino do professor é formação para a vida e não simplesmente para transmitir conhecimento.
“A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria”. (Paulo Freire)
Pode haver professores que são parecidos com os espinheiros: ferem, sem doçura e alegria. Mas, o verdadeiro professor ou professora exercem a cura, cumprem com doçura e alegria a missão de ensinar, ainda que muitos não sejam honrados pelo que realizam.
Deve-se agradecer o professor ou a professora pelo ensino que se esmeraram em transmitir. Deve-se honrá-los em todo tempo de suas vidas.
Feliz dia do Professor e da Professora!

UMA LEOA FRUSTRADA E SEM ESPERANÇA

UMA LEOA FRUSTRADA E SEM ESPERANÇA
Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha


"Vendo a leoa frustrada e perdida a sua esperança, tomou outro dos seus filhotes e o fez leãozinho" (Ezequiel 19:5).
A frustração é um sentimento silencioso que invade quando aquilo que se planeja não acontece, quando as portas não se abrem, e quando parece que Deus ficou em silêncio. É como ter o coração cheio de expectativas e as mãos vazias na caminhada da existência.
Há dias em que o coração se cala, a alma se esconde e o olhar perde o brilho. É o tempo em que a esperança parece ter ido embora, e tudo o que resta é o peso do cansaço. A fé, antes viva, parece apenas uma lembrança distante.
O texto do profeta Ezequiel 19:1–9 é carregado de simbolismos. E, como entender no texto e no seu contexto o significado de um animal - uma leoa - ter frustração e a sua esperança perdida?
Vejamos alguns detalhes que ajudam a entender o texto e extrair dele algumas lições para a vida.
1. A leoa que um dia foi forte
A leoa representa o povo de Deus no Antigo Testamento — uma nação escolhida, chamada para dominar e influenciar. Um povo não-autóctone, que não teve a sua origem em um determinado lugar geográfico, mas chamado por Deus para realizar uma missão especial, sendo formado na caminhada com quem o formou, isto é, o próprio Deus.
A leoa - o povo de Deus - andava “entre leões”, ou seja, entre as nações poderosas, mas tinha uma identidade própria. Assim também a Igreja e cada servo de Deus foram chamados para viver com propósito, autoridade e coragem.
Mas o que acontece quando a força se perde? Quando o rugido se cala? Quando o coração que antes tinha fé, agora está cansado? Há a frustração.
2. A leoa frustrada
Ezequiel mostra a leoa tentando criar seus filhotes para reinar, mas eles são levados cativos.
Tudo o que ela investiu, tudo o que construiu, foi quebrado. Ela fica frustrada, ferida, sem direção.
Essa imagem fala da alma abatida — de pessoas que tentaram, sonharam, mas viram seus esforços irem embora. Oraram, mas não viram respostas. Sonharam, mas foram decepcionadas.
Serviram, mas ficaram sozinhas. Uma leoa frustrada não perde só os filhotes — perde o sentido de existir.
3. A leoa sem esperança
O texto termina com tristeza: “Puseram-na em uma cova, e a voz dela já não se ouve nos montes de Israel” (v.9). O rugido da esperança se calou.
Mas Ezequiel escreve essa lamentação para despertar a nação — não para sepultar a esperança.
Uma lamentação que é datada pelos estudiosos, durante o exílio babilônico, dentro do período das profecias de Ezequiel, entre 593 e 571 a.C. Mais especificamente, Ezequiel 19 pertence a uma série de lamentações e profecias contra os reis de Judá, pronunciadas pouco antes da destruição de Jerusalém em 586 a.C.
Deus permite que o rugido cesse por um tempo, para nascer um novo som — o som do arrependimento, da restauração e da volta à confiança no Senhor.
4. Deus ainda cuida das leoas feridas
Mesmo quando a leoa está frustrada, o Deus da aliança não se esquece dela.
Ele ainda é o Deus que restaura reinos e corações. Ele levanta quem foi ferido e devolve o rugido da fé. Pois, “Os que confiam no Senhor renovarão as suas forças...” (Isaías 40:31)
Uma leoa frustrada e sem esperança pode voltar a rugir quando o Espírito Santo renova sua fé.
O que parecia fim, será recomeço. O que parecia perda, será testemunho. Porque Deus ainda faz leões cansados voltarem a rugir.
Para concluir. No tempo em que surgem as frustrações e a esperança parece se esvair; quando as forças começam a faltar, é preciso alimentar-se da Palavra de Deus.
O Senhor sempre providencia algo de onde menos se espera.

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