terça-feira, 18 de novembro de 2025

VOLTAI À FORTALEZA, OS QUE AINDA TÊM ESPERANÇA

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha (Pastor presbiteriano, membro do PNIL - Presbitério de Nilópolis)


“Voltai à fortaleza, ó presos de esperança; também hoje vos anuncio que vos recompensarei em dobro” (Zacarias 9:12).

Eis uma ordem diante de tantas consolações vazias, bem como uma promessa de recompensa em dobro. Esta ordem e também a promessa que foram enviadas por Deus ao povo de Israel, por volta do ano 520 a.C., por meio do profeta Zacarias, representam verdades que ecoam no passar dos séculos. E, sendo a Palavra de Deus, atualiza-se no presente e sempre será abordada no futuro.

O que podemos aprender do texto bíblico para os nossos dias é algo que precisamos, pois os dias não são fáceis de se viver. Há um desespero que toma conta de pessoas. Muitos tiram a própria vida por não aguentarem o sufoco.

1. A FORTALEZA COMO LUGAR DE REFÚGIO E RESTAURAÇÃO

A palavra do Senhor, por meio de Zacarias, chama o povo para voltar. Não simplesmente voltar ao templo, nem às rotinas religiosas, mas à fortaleza — ao lugar onde Deus é proteção, segurança e abrigo. Em toda a Bíblia, Deus é descrito como rocha, torre forte, escudo, sombra protetora.
A verdadeira fortaleza não é um prédio, não é uma cidade, não é um sistema. A fortaleza é o próprio Senhor.

Voltar à fortaleza é voltar a: confiar quando tudo parece desabar. Refugiar-se quando as guerras da vida apertam. Descansar quando as forças se esgotam. Essa é a convocação divina: Retornem ao lugar onde a esperança renasce!

2. PRESOS, MAS PRESOS DE ESPERANÇA

Interessante: Deus chama o povo de “presos de esperança”. Não presos por correntes, por sistemas, por inimigos, mas presos pela esperança — ligados, amarrados, imputáveis pela certeza de que Deus ainda está agindo.

A esperança bíblica não é otimismo; não é pensamento positivo; não é esperar que tudo simplesmente dê certo. Esperança bíblica é: crer contra a esperança (Romanos 4:18); esperar com paciência mesmo quando nada muda (Salmo 40:1); confiar no que ainda não se vê (Hebreus 11:1).

O povo estava ferido, disperso, cansado, mas ainda tinha esperança. Nem todo o povo estava preso de esperança, mas ainda existia em muitas pessoas a esperança que não falha. E Deus nunca ignora aqueles que, mesmo machucados, ainda creem.

3. A PROMESSA: “HOJE VOS DECLARO QUE RESTITUIREI EM DOBRO”

A convocação vem acompanhada de uma promessa: “Hoje vos anuncio que vos recompensarei em dobro.” O dobro, nas Escrituras, sempre aponta para: restauração plena (Jó 42:10); justiça divina que compensa perdas; restabelecimento da honra e do propósito.

Deus está dizendo: “Se vocês voltarem para mim, Eu não apenas os receberei… Eu os restaurarei além do que perderam.” É uma palavra para quem perdeu tempo, alegria, oportunidades, forças,
direção e esperança.

O Deus que chama é o Deus que restaura. E o Deus que restaura é o Deus que recompensa em dobro.

Zacarias 9:12 é um convite permanente de Deus para todos nós. Sendo assim, eis o que o próprio Deus diz aos que creem: Volte. Não para trás, mas para Ele. Volte ao refúgio, volte à presença, volte à fonte. Alguém ainda tem esperança — e Deus recompensará essa esperança. A fortaleza continua aberta, e o Senhor continua dizendo: “Volta, filho. Volta, filha. Há esperança. Há restauração. Há dupla porção.”

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

A TAMPA DE CHUMBO LEVANTADA E UMA MULHER DENTRO DO CESTO

A TAMPA DE CHUMBO LEVANTADA E UMA MULHER DENTRO DO CESTO

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha (Pastor presbiteriano, membro do PNIL - Presbitério e Nilópolis - RJ)


Zacarias 5:7: "⁷ Então foi levantada a tampa de chumbo que cobria o cesto, e eis que uma mulher estava sentada dentro do cesto."

A Bíblia em seus 66 livros apresenta muitas vezes uma linguagem simbólica. Para entendê-la, faz-se necessário ter conhecimentos da exegese e da hermenêutica, por exemplo. Mas, Também conhecer a língua hebraica e e grega, como o aramaico, mas acima de tudo possuir a iluminação do Espírito Santo. Um outro ponto importante é ler bons comentários de pessoas que foram muito além de nós como estudiosos da Sagrada Escritura. Não devemos desprezá-los.

A visão do profeta Zacarias é profunda, simbólica e cheia de juízo divino. Ele vê um "efa" (cesto de medidas), uma "mulher dentro", e uma "tampa de chumbo" sendo removida e recolocada. A cena revela o modo como Deus trata o pecado institucionalizado, aquilo que se torna sistema, cultura e prática coletiva.

Zacarias não está descrevendo apenas um ato de injustiça pontual, mas um tipo de mal que se organiza, se acomoda e se torna parte da vida social, até que Deus decide expô-lo e removê-lo.

É preciso entender algumas premissas.

1. A TAMPA LEVANTADA — O PECADO OCULTO É REVELADO

Quando o anjo levanta a tampa de chumbo, Zacarias vê o que estava dentro: “Esta é a iniquidade”. Deus levanta a tampa. Deus expõe. Assim, muitos pecados permanecem aparentemente controlados, escondidos sob a tampa pesada do silêncio, da conveniência e da normalidade social. O chumbo representa o peso da tentativa humana de encobrir o mal. Mas o Deus que tudo vê levanta a tampa e mostra o que está dentro do coração, das instituições, das casas e até das religiões.

A aplicação aplicação se faz necessária não somente para a época de Zacarias, mas também para hoje. Nenhum pecado encoberto permanecerá oculto para sempre. Deus tem seu tempo de levantar a tampa, mostrar o conteúdo e revelar o que se tentou esconder.

2. A MULHER DENTRO DO CESTO — A PERSONIFICAÇÃO DO MAL SISTÊMICO

A mulher não é uma pessoa literal, mas a representação da “iniquidade”. Por que uma mulher? Na linguagem profética, figuras femininas muitas vezes simbolizam cidades, nações ou sistemas espirituais (Babilônia, Jerusalém, Samaria, Sião, etc.). Aqui, ela representa a maldade que se instala e se torna confortável, como quem mora dentro de um recipiente feito para medir comércio — ou seja: corrupção nos negócios, injustiça nos relacionamentos, falsidade social, desonestidade institucional.

O mal se acomoda. Ele ganha forma. Ele ganha espaço. Ele ocupa o cesto — símbolo da economia, da vida cotidiana e das estruturas humanas.

A aplicação é que o maior perigo não é o mal ocasional, mas o mal institucionalizado, naturalizado, aceito como parte do sistema. É quando a iniquidade se senta dentro do cesto e faz dali a sua casa.

3. A TAMPA DE CHUMBO RECOLOCADA — DEUS LIMITA, CONTÉM E JULGA A MALDADE

Após ser revelado, o mal não fica solto: “Ele lançou-a dentro do efa e pôs a tampa de chumbo sobre a boca do efa”.

Primeiro Deus expõe. Depois Deus contém. Por fim Deus julga (v. 9–11), levando o mal para longe, para a terra de Sinear, símbolo de Babilônia — o lugar de sua origem. Sendo assim, Deus não apenas revela o mal do povo. Ele também: o identifica, o restringe, o remove e o envia de volta às trevas de onde veio.

Quando Deus decide agir, Ele fecha a tampa! O mal perde sua liberdade, sua influência e seu espaço. Deus é soberano para julgar e purificar.

A visão do cesto e da tampa de chumbo nos lembra que: Deus expõe o oculto — nada fica escondido. Deus desmascara o mal que se instala como sistema. Deus intervém, limita e remove a iniquidade do meio do Seu povo.

Que esta visão nos leve a orar por discernimento, vigilância e santidade, pedindo a Deus que levante a tampa onde for necessário, mas também que a feche sobre toda obra das trevas.

domingo, 16 de novembro de 2025

VESTIMENTAS SUJAS POR LIMPOS E FINOS TRAJES

VESTIMENTAS SUJAS POR LIMPOS E FINOS TRAJES

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha (Pastor presbiteriano, membro do PNIL - Presbitério de Nilópolis - RJ)


Livro do Profeta Zacarias 3:4: "Tomou este a palavra e disse aos que estavam diante dele: Tirai-lhe as vestes sujas. A Josué disse: Eis que tenho feito que passe de ti a tua iniquidade e te vestirei de finos trajes."

Faz parte da higiene trocar de roupa depois de um banho. Não é um hábito, mas uma necessidade. É um comportamento que se aprende desde a mais tenra idade. Por isso, nem é preciso tecer comentários sobre este assunto.

Percebendo o texto citado acima, bem como o seu contexto que deve ser levado em conta para um melhor entendimento, a visão de Zacarias apresenta uma cena impressionante: Josué, o sumo sacerdote, está diante do Senhor, mas "vestido com roupas sujas". Sem dúvidas, é uma imagem perturbadora, porque o sacerdote, segundo o Antigo Testamento, deveria estar sempre limpo diante de Deus.

Mas essa é a forma como Deus revela a condição humana — mesmo aqueles chamados ao serviço sagrado podem se ver marcados por falhas, limitações e culpas. No entanto, a mensagem do texto não é condenação, mas restauração.

Deus ordena: “Tirai-lhe estas vestes sujas... e vestirei de vestes finas.” Deus que troca vestimentas sujas por limpos e finos trajes. Para entender a proposta desta reflexão, é importante observar alguns pontos.

PONTO 1 — A CONDIÇÃO REAL: VESTES SUJAS DIANTE DE DEUS

Josué, na sua função sacerdotal, representa o povo e, ao mesmo tempo, representa cada um de nós. Ele está diante do Senhor, mas com roupas impuras, o que simboliza: culpa acumulada, o peso dos erros, a contaminação espiritual e a incapacidade humana de se purificar por si só. E, mesmo servos sinceros podem se encontrar assim — desgastados, manchados pelas batalhas da vida, marcados por tentações vencidas e perdidas.

Que lição pode-se tirar? Antes de Deus nos vestir, Ele nos revela nossa real condição. Isso Deus faz não para nos envergonhar, mas para nos transformar. Portanto, é preciso ver as vestes sujas, que é o primeiro passo para experimentar a renovação de Deus.

PONTO 2 — A INTENÇÃO DIVINA: DEUS ORDENA A REMOÇÃO DAS VESTES SUJAS

No texto, Deus não manda Josué se limpar. Deus ordena aos ministros celestiais: “Tirai-lhe estas vestes sujas.” Isso nos ensina que: a obra da purificação é divina, não humana. Deus é quem toma a iniciativa da renovação. Ele não exige que o pecador se apresente perfeito, mas que se apresente. Aqui aparece também o grande obstáculo: o acusador. Satanás está ali tentando impedir a restauração. Mas Deus intervém: “O SENHOR te repreende!”

Outra lição desta reflexão com base no texto: o diabo acusa; Deus restaura; o diabo aponta nossas manchas; Deus já prepara novas vestes; a graça de Deus silencia toda acusação. Sendo assim, não deixemos que a voz da acusação seja mais forte que a voz da graça. Se Deus ordena a remoção das vestes sujas, ninguém pode impedir.

PONTO 3 — A OBRA COMPLETA: DEUS NOS VESTE COM TRAJES FINOS

Depois da remoção das vestes sujas, Deus declara: “Tenho feito passar de ti a tua iniquidade.” Primeiro Deus limpa, depois Deus veste. É assim que Ele age: remove a culpa, apaga a acusação, restaura a dignidade e reveste com justiça e pureza. O que as “vestes finas” representam? A salvação (Isaías 61:10), a justiça de Cristo (Apocalipse 19:8), a honra espiritual renovada e a aceitação no culto e no serviço.

Deus não apenas nos tira do campo da vergonha, Ele nos coloca no campo da honra. Ele não apenas perdoa; Ele restaura. Ele não apenas limpa; Ele reveste.

Mais outra lição, fazendo-se uma conexão com o Novo Testamento: em Cristo, não apenas somos perdoados — somos revestidos. A restauração divina é completa. Assim, é preciso permitir que Deus finalize a obra: não apenas tirar as manchas, mas nos revestir com nova identidade, novo caráter e novo propósito.

A visão de Zacarias revela a essência daquilo que a Bíblia como Palavra de Deus demonstra: Deus troca nossas vestes sujas por limpos e finos trajes. Ele revela nossa condição. Ele remove nossa sujeira. Ele nos reveste com Sua justiça. Isto significa que a obra de Deus não é superficial — é profunda, transformadora e gloriosa.

Por fim, que possamos nos colocar diante do Senhor assim como Josué: sem esconder manchas, mas confiando que Aquele que chama também restaura. E que cada um de nós saia da presença de Deus não com roupas remendadas e sujas, mas com vestes finas, dadas pela graça que nos alcança.

sábado, 15 de novembro de 2025

O MONUMENTO QUE O REI SAUL CONSTRUIU PARA SI MESMO

O MONUMENTO QUE O REI SAUL CONSTRUIU PARA SI MESMO


Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha (Pastor presbiteriano, membro do PNIL - Presbitério de Nilópolis - RJ)

Texto Bíblico: 1 Samuel 15:1-31


A Bíblia está repleta de relatos curiosos sobre a vida de muitas pessoas. São diversos os tipos de personalidades, ricas e pobres. Cada uma com sua história. A Bíblia relata acertos e falhas. Ela não esconde as falhas de ninguém, com a finalidade de se tirar lições para o cotidiano.

A Bíblia contem uma linguagem antrópica, isto é, ela é palavra de Deus em linguagem humana.
Assim, o relato de 1 Samuel 15:1-31 pode parecer estranho para nós hoje, mas tem ensinamentos que valem para todas as pessoas de todos os credos e de todos os tempos.

O rei Saul, o primeiro rei de Israel, levantou para si um monumento. Ele mesmo se preocupou com toda a parte logística para tal ato que tem como símbolo o orgulho e a hipocrisia. Saul era um rei desobediente a Deus. Teve a oportunidade de realizar um bom governo, mas estava mais preocupado em fazer a sua vontade, do que fazer a coisa certa, que era fazer a vontade de Deus, servindo, concomitante ao povo.

O Senhor Deus lhe havia dado uma ordem, e Saul não a cumpriu integralmente (1 Samuel 15:1-3).
Existia um povo, os amalequitas (Amaleque), que era de origem antiga e incerta, provavelmente, descendente de Esaú (Gênesis 36:16). Foi o primeiro povo a atacar Israel no deserto e fê-lo traiçoeiramente, quando este estava desfalecido (Êxodo 17:8-16).

Amaleque era um foco de males, pelo que Deus determinou o seu extermínio. Foi uma espécie de higiene moral e social. Pode-se pensar aqui que Amaleque é um tipo do nosso arqui-inimigo, que é aquele que ataca covardemente; quando as pessoas se encontram desfalecidas.

Saul não executou a ordem de Deus e ainda fez para si um monumento. Saul rejeitou o Senhor. Por isso o Senhor rejeitou o Rei Saul.

O que podemos aprender para hoje e também para toda a nossa existência, sobre esta o relato bíblico:

1. A desobediência em seu grau mais elevado é rebelião (9, 23)

“Obedecer é melhor do que sacrificar” – vv. 22. A desobediência gera a morte. Todo desobediente no Antigo Testamento era condenado – v. 23. Não é o que acontece hoje. Hoje há pessoas que mentem, desobedecem, tiram a vida dos semelhantes, assaltam, discriminam, entre outras atrocidades. E, ainda contratam advogados para se defenderem. Quem tem dinheiro sai ileso.

A pessoa que procura fazer a coisa certa, ainda que qualquer perfeição não faça parte da existência, tem maiores chances de vencer e demonstrar que praticando o que é justo vale à pena. Mas, parece que há um apoio popular pelo que é errado. Muitos lucram com processos errados. Parece que os maus exemplos são melhores do que os bons exemplos. Há uma inversão de valores.

2. A mentira é veneno mortífero que destroi a personalidade (13-18)

Falar a verdade e proclamá-la é o recurso de quem é sábio. No Novo Testamento há o relato de Ananias e Safira que morreram por causa da mentira – Atos 5:1-11. As pessoas que mentem e pensam que se dão bem, um dia a casa desmorona. É triste o fim de quem mente. Mas, as pessoas que promovem a verdade são abençoadas.

3. A Hipocrisia religiosa desmoraliza o caráter (19-21)

Hipocrisia significa fingimento, falsidade – Saul agiu hipocritamente. Esse fato mostra que, quem pratica o fingimento, a falsidade, não pode viver feliz e muito menos existir no reino de Deus. A pessoa que reconhece o seu pecado e se arrepende, é bem-aventurada.

4. A perdição é o estado último do afastamento de Deus (23, 35)

Deus não criou as pessoas para a perdição, mas para a vida eterna. Mas, quem se afasta de Deus perde toda a conexão com a felicidade. A pessoa que se chega mais para Deus cresce em todos os níveis de existência humana. Cresce espiritualmente.

Por fim, a história de pessoas com seus acertos e erros estão nos registros bíblicos. E todos os registros de pessoas quer sejam maus ou bons, a Bíblia não esconde, porque nos servem para percebermos onde estamos e fazer a coisa certa.

A desobediência, a mentira e a hipocrisia teve como resultado a perdição de Saul. São ações que não devem ser imitadas por ninguém. É bom seguir os conselhos da Bíblia, pois, vive-se num tempo em que faz mais sucesso quem tem uma vida errada. Por que não imitar o que é bom?

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

PERSEVERANDO DIANTE DOS OBSTÁCULOS

PERSEVERANDO DIANTE DOS OBSTÁCULOS

Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha (Pastor presbiteriano, membro do PNIL - Presbitério de Nilópolis - RJ e Professor de Teologia Sistemática)


Texto Bíblico: Lucas 21:5-19

Talvez a mais difícil ação da vida humana não seja a de começar a se fazer alguma coisa, mas a de perseverar no desenvolvimento dos empreendimentos, pois surgem obstáculos. Quem persevera, aprende com o tempo, tornando-se uma pessoa experiente. Principalmente hoje e em qualquer momento, quando se requer paciência, em meio às adversidades.

Perseverar significa: persistir; conserva-se firme e constante. É a constância da experiência de fé, mesmo que tudo indique o contrário.

O texto do Evangelho de Lucas 21:15-19, não trata do fim do mundo, do fim de todas as coisas, mas é parte da destruição de Jerusalém no ano 70 AD, quando o general romano, Tito, invade Jerusalém, destruindo a cidade dos judeus e o Templo com a sua bela construção.

É bem verdade que o relato trata também em parte daquilo que expressa Jesus sobre a certeza quanto ao triunfo final, embora tenha de haver dias de dificuldade pela frente. É por isso que o Evangelho nos adverte, de que não devemos ficar sobrecarregados com as dificuldades deste mundo. Mas, devemos ficar constantemente vigilantes.

Muitas pessoas, senão todas as que fazem uso da razão, andam preocupadas, assim como os discípulos de Jesus, que lhes pediam um sinal da destruição vindoura. Há muitos que se preocupam em querer decifrar os sinais e fazer certas previsões futurísticas, principalmente no campo religioso.

Jesus não se preocupa em dá um só sinal específico; mas adverte seus seguidores a não se deixarem enganar pelos acontecimentos tumultuosos que ocorreriam no decurso do tempo. Jesus não estava predizendo o fim do mundo como os falsos profetas que faziam tais predições. Muitos viriam em seu nome dizendo: “Sou eu!” “Chegou a hora!” Disse Jesus: “Não o sigais”.

Antes que chegue o final, muita coisa há de acontecer, porque o coração do ser humano sem Deus é totalmente voltado para o mal, entretanto, é preciso dar testemunho. É uma oportunidade para realizar a vontade de Deus, não pela oratória virtuosa, mas pela prática do Evangelho.

Jesus não subestima os obstáculos que impedem a vida ter o seu curso normal, mas recomenda a perseverança, porque a providência de Deus será e é o maior tesouro que o cristão pode ter para vencer.

Vejamos o entendimento da perseverança para a superação dos obstáculo na existência:
1 – A PERSEVERANÇA NÃO INDICA UMA VIDA DE CONTEMPLAÇÃO

A vida não deve ser vivida no estado de contemplação de coisas que são passageiras, pois tudo será consumido, até mesmo as grandes construções. O Templo que Herodes construiu visava apenas o impedimento da vida e não a glória de Deus. A história tem seu curso, e as pessoas participam dela, ainda que venham as dificuldades. Por isso, não é fundamental não se enganar com certos discursos, mesmo com tom de piedade, mas confiam na Palavra de Deus.

2 – A PERSEVERANÇA NÃO INTERPRETA OS SINAIS DA HISTÓRIA COMO O ESTADO FINAL, MAS COMO O INÍCIO DA VIDA

Falsos messias, guerras, revoluções, terremotos, epidemias, fome, sinais no céu, não podem decretar o final da história, nem atemorizar a vida humana. A pessoa que crê, tem a certeza de que Deus está no controle e que Ele realizará o seu propósito, mas não tem a certeza de qual posição ela tem naquele propósito. A certeza de quem exerce a sua fé está no triunfo de Deus. Por isso é preciso anunciar a vida verdadeira a partir do encontro com Deus e não o fim da vida, nem do mundo.

3 – NA PERSERVERANÇA É QUE SÃO VENCIDOS OS OBSTÁCULOS

Perseverar é exercitar a fé e a Bíblia nos ensina a sermos perseverantes na missão que recebemos do Senhor. Vários textos bíblicos tratam deste assunto, como por exemplo: Romanos 5:3,4; Efésios 6:18; Colossenses 1:11; Hebreus 10:36; Hebreus 12.1.

Quando se persevera, também se pode contemplar a vitória sobre os obstáculos – que são inevitáveis, mas que são vencidos pelo poder de Deus. “Contudo, não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça.” (Lucas 21:18).

Perseveremos todos, pois o Senhor é fiel em todas as suas palavras e justo em seus caminhos. O Senhor virá com poder e grande glória. Mesmo que não saibamos os tempos, corramos com perseverança a carreira que nos está proposta. Não desanimemos.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

O TRISTE FIM DE QUEM AJUNTA BENS MAL ADQUIRIDOS

O TRISTE FIM DE QUEM AJUNTA BENS MAL ADQUIRIDOS


Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha


O atos de pessoas ajuntarem bens mal adquiridos não são ações somente do tempo presente, mas de todos os tempos da história da humanidade. A Bíblia relata que, desde o ato de desobediência contra o Criador, as pessoas passaram a cometer tais ações.

No Livro do Gênesis, da biblioteca inigualável do Planeta Terra, no capítulo 3, têm-se o início de atos que os seres humanos começaram a praticar. Ainda que alguns pratiquem bons atos, sempre têm os que cometem atos abusivos, os quais prejudicam a si mesmos e aos semelhantes, atingindo até o ecossistema. Em Gênesis 3:17 está escrito: "... Maldita é a terra por tua causa...". Sendo assim, não se pode colocar a culpa em um ser metafísico, deixando o ser humano de assumir a sua culpa.

No Livro do profeta Habacuque 2:9 está registrado: “Ai daquele que ajunta em sua casa bens mal adquiridos, para pôr em lugar alto o seu ninho, para escapar do poder do mal.” É uma ilusão da segurança construída sobre o erro do alvo, ou seja, do que a Bíblia denomina de pecado.

O profeta Habacuque viveu em tempos de injustiça e corrupção. Ele viveu, provavelmente, para ver o cumprimento de sua profecia, inicialmente, quando Jerusalém foi atacada pelos babilônios em 597 a.C. Ele via os poderosos enriquecendo às custas do sofrimento dos fracos, e questionava: "Até quando, Senhor?" (Habacuque 1:2).

A citação de Habacuque 2:9 citada acima é uma denúncia divina contra aqueles que constroem sua prosperidade sobre a base da injustiça. É uma palavra dura, mas necessária — especialmente em tempos em que o lucro se tornou mais importante do que a ética.

Os pontos que seguem têm a finalidade ajudar a entender a temática proposta, sobre o triste fim de quem ajunta bens mal adquiridos.

O ENGANOSO CONFORTO DOS BENS MAL ADQUIRIDOS

O verbo “ajuntar” indica acúmulo, mas não fruto do trabalho honesto — e sim da exploração, da corrupção e da fraude. A pessoa acredita que, ao enriquecer por qualquer meio, encontrará estabilidade e segurança. Porém, o pecado jamais serve de alicerce sólido — ele apodrece a estrutura da alma. Toda riqueza suja vem acompanhada de uma dívida moral e espiritual.

A ILUSÃO DA SEGURANÇA É UMA CONDIÇÃO DO CORAÇÃO CORRUPTO

Inserido no mesmo relato consta o que vem depois: “...para pôr em lugar alto o seu ninho, para escapar do poder do mal.” A imagem do “ninho em lugar alto” fala de autossuficiência e soberba — o mesmo sentimento de quem acredita estar fora do alcance da justiça humana e divina.
Assim como o ímpio de Salmo 49 pensa que sua casa durará para sempre, o corrupto acredita que jamais será descoberto. Mas Deus vê o que se faz em oculto. E o ninho construído com pena alheia se desfaz com o vento da verdade.

O JULGAMENTO DIVINO É CERTO E ACONTECE NO TEMPO PRESENTE

Em (Habacuque 2:10) está escrito: “Planejaste o opróbrio para tua casa, destruindo muitos povos, e pecaste contra tua alma.” O pecado que fere o próximo é também uma autodestruição. O julgamento de Deus pode demorar, mas é inevitável. Bens mal adquiridos trazem maldição: para quem os possui, para sua família e para sua descendência.

ONDE ESTÁ A VERDADEIRA RIQUEZA?

A verdadeira prosperidade não está em ter muito, mas em ter com justiça. Em Provérbios 10:22, consta: “A bênção do Senhor é que enriquece, e não acrescenta dores.”. Assim, a integridade é a moeda do Reino de Deus — e o tesouro do justo é eterno.

Habacuque anuncia um “ai” — uma lamentação — sobre quem se corrompe para prosperar.
Essa palavra é também um convite ao arrependimento. Porque o mesmo Deus que denuncia a injustiça, oferece perdão ao que se volta para Ele com sinceridade. “Melhor é o pouco com justiça, do que grandes rendas com injustiça” (Provérbios 16:8).

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

ENTROPIA E INFORMAÇÃO

ENTROPIA E INFORMAÇÃO
Prof. Nelson Célio de Mesquita Rocha


Existem muitas informações na mídia, principalmente nas redes sociais da Internet, que se configuram como uma mixórdia de notícias, e diante desse movimento fica difícil saber o que é falso e o que é verdadeiro. O pior é que existe um público que não para e faz uma reflexão. Esse público não mede esforços para passar adiante um escrito ou um vídeo veiculando uma notícia falsa e causadora de problemas de ordem moral.
A Internet sendo bem utilizada, torna-se um instrumento favorável à comunicação. Mas, por outo lado, existem campos ou terras de alguém ou sem donos. São veiculadas notícias consideradas "fakes news", passando-se por verdades, que chegam a confundir as mentes incautas.
Este assunto já foi e continua sendo todos os dias objeto de reflexão, onde há a redundância que é sinal conhecido e sinal conhecido é mensagem previsível. À medida que aumenta a probabilidade de conhecimento prévio da mensagem sem discernimento, mais diminui o teor da informação da mesma. Há o que se chama uma perda térmica no sistema, que passou de um estado de diferenciação e organização para um estado de indistinção. A essa tendência a ausência de diferenciação dá-se o nome de entropia.
Entropia aponta para a desordem. Na construção de toda a mensagem ela sempre estará presente em algum grau, principalmente no nível da estrutura semântica, ocasião em que se considera a informação como o negativo da entropia, que está sempre ligada à ideia de seleção, escolha e organização dos signos.
Ora, selecionar signos na comunicação, importa na existência de alternativas. Então, a resposta para conter a informação deve ser uma entre várias alternativas, isto é, a quantidade de alternativas em meio das quais é possível uma escolha, pois fornece uma medida da quantidade de informação. Nessa perspectiva, a informação verdadeira deve ser mantida como instrução seletiva, uma medida de organização, apontando para a ordem. E quanto mais imprevisível for a mensagem pela originalidade dos critérios seletivo e combinatório, mais alta será a taxa de informação fornecida.
Esses critérios a que estamos nos referindo dizem respeito ao código de qualquer língua natural. Cada um deles é constituído de um número limitado de signos possibilitando combinações em número teoricamente infinito. E é justamente aquele valor de equiprobabilidade entre muitos elementos combináveis que faz a informação. Em outras palavras, quando entre duas ou mais alternativas que têm iguais possibilidades de verificar-se, apenas uma delas tem lugar, temos uma unidade de informação.
Quando uma comunicação contém muitas informações, e algumas sem originalidade, a mensagem fica truncada. E o mais difícil, é que haverá um prejuízo na decodificação e na recepção da mensagem, respectivamente.
É urgente aos que usam as redes sociais para produzir comunicação em tempos de deserdem. Pessoas do mal, utilizam a Internet para disseminar o mal com mentiras para ganharem curtidas a troco de dinheiro e fama. As pessoas do bem se utilizam da mídia para veicular o que é bom, justo e verdadeiro. Ganham dinheiro também e credibilidade. Outras pessoas podem até não ganhar muitos "joinhas", mas veiculam a verdade, e isso é o que importa.

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